Apontada pelas autoridades como uma das principais envolvidas na organização do evento de rope jump em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu em 13 de junho, uma das investigadas relatou à polícia que evitava tarefas ligadas à parte técnica dos saltos por receio de atuar nessa área. A jovem foi arremessada sem cordas da plataforma da Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), e morreu em decorrência dos ferimentos. Em depoimento, Evelyne dos Santos Gonçalves afirmou que praticava a modalidade havia cerca de um ano e meio, mas que nos eventos tinha atuação voltada ao atendimento, cadastro de participantes e organização de filas. Ela também disse ser responsável pela comunicação digital do grupo informal “Entre Cordas”, que divulgava a atividade ao público geral.
Ela declarou aos investigadores que evitava qualquer função operacional ligada aos saltos e que deixava isso claro em suas redes sociais. Segundo o depoimento, sua participação se limitava à divulgação de vídeos e à administração de conteúdos online. O trecho foi registrado da seguinte forma:
Como eu não faço parte de nada operacional, eu sempre falo, inclusive nas redes sociais, que eu tenho muito medo, eu não tenho nenhuma qualificação pra te dar respostas técnicas. Porque a minha única função é editar os vídeos, postar nas redes sociais, viralizar. ” destacou ela aos investigadores.
Evelyne chegou a ser presa temporariamente no sábado seguinte à morte de Maria Eduarda, junto de João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, também ligados ao evento. Três instrutores seguem detidos desde o dia do acidente e foram formalmente indiciados por homicídio com dolo eventual: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves. As defesas afirmam que não houve intenção de causar a morte e contestam a tipificação adotada pelos investigadores.
A responsável pelo evento relatou à polícia que não conseguiu ver o momento em que a preparação do salto de Maria Eduarda foi feita. Ela afirmou que estava distante da plataforma e descreveu a distância aproximada:
“Não dava para enxergar, não é próximo. Eu estava na primeira tenda. Se eu for te falar de metros, seria uns 20 metros”, alegou a mulher, que disse ter ouvido um barulho enquanto preenchia um formulário e, em seguida, observado a reação dos instrutores, que estariam em estado de choque.
Em outro trecho do depoimento de Evelyne, ela afirmou confiar na experiência dos envolvidos e classificou o caso como uma fatalidade. Também ressaltou que o grupo permaneceu no local após o ocorrido.
“A gente não fugiu, a gente está aqui esperando para ser julgado, para eu fazer o que for. Independentemente do que aconteceu, do que fizerem com a gente, a gente vai assumir, a gente vai ficar aqui” disse.
Um amigo de Maria Eduarda que estava no local relatou à polícia que a preparação dela para o salto foi mais rápida do que a dele e diferente do procedimento que havia observado anteriormente. Ele afirmou que realizou o salto antes dela após passar por checagens de segurança. Segundo o depoimento, obtido pelo Metrópoles, os equipamentos como colete e proteções eram colocados em uma área separada, enquanto a corda era fixada apenas momentos antes do salto, na própria plataforma. Ele disse ainda que, no caso dele, a verificação foi feita por uma pessoa responsável pelos saltos anteriores. Já Maria Eduarda teria sido acompanhada por três instrutores. Investigadores apontaram que ela foi a primeira lançada na modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que o participante é erguido e impulsionado da plataforma.
O rapaz afirmou não ter visto a fixação do equipamento de segurança em Maria Eduarda e relatou ter ouvido gritos de alerta logo após o lançamento. Ele passou mal e precisou de atendimento hospitalar.
A Polícia Civil concluiu o indiciamento dos três instrutores que participaram da ação por homicídio com dolo eventual, sustentando que eles teriam assumido o risco ao não seguir corretamente os protocolos de segurança. Os investigados têm idades de 32, 42 e 27 anos.
Em outra linha de investigação, a Polícia Civil e o Ministério Público apontam que um dos presos após a morte de Maria Eduarda foi responsável por retirar a câmera acoplada ao equipamento logo depois do acidente. O suspeito identificado é João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos. A informação consta no pedido de prisão encaminhado à Justiça.
