Estados Unidos negam plano para impedir reeleição de Lula

Patricia Calderon
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O presidente da República Lula - Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou nesta quinta-feira (13) ao g1 que exista qualquer estratégia para impedir uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O órgão afirmou que o governo americano respeitará “qualquer governo” escolhido pelos brasileiros nas eleições de outubro, em resposta à avaliação de integrantes do governo brasileiro de que o secretário de Estado, Marco Rubio, estaria interessado em evitar a permanência de Lula no cargo.

“Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil. E nós [EUA] temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou a autoridade, sem mencionar explicitamente o nome de Rubio.

A referência a “eleições livres e justas”, porém, já apareceu em manifestações anteriores do governo Donald Trump relacionadas a processos eleitorais de outros países. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que o sistema eleitoral é seguro e que as eleições são realizadas de forma livre.

Segundo integrantes da equipe de Lula, a suspeita sobre uma possível atuação de Rubio contra a reeleição ganhou força depois que o governo Trump publicou um vídeo no qual afirma que o domínio dos Estados Unidos sobre a América “nunca mais será questionado”.

A relação entre Brasília e Washington atravessa um período de tensão diplomática às vésperas das eleições presidenciais brasileiras, previstas para ocorrer no primeiro e no terceiro finais de semana de outubro. Entre os episódios que contribuíram para o agravamento das relações estão:

  • A divulgação de uma montagem que mostrava Lula algemado e vendado no lugar do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, preso pelos Estados Unidos em janeiro.
  • A adoção de sanções contra autoridades brasileiras, incluindo o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes em 2025.
  • A imposição de sucessivas tarifas sobre produtos brasileiros pelo governo Trump.

Marco Rubio é considerado uma das figuras de maior influência no segundo mandato de Donald Trump. O secretário também está associado à formulação de uma nova abordagem da Doutrina Monroe, utilizada pelo governo americano em sua política para o Hemisfério Ocidental.

Rubio também esteve diretamente envolvido em episódios recentes de tensão entre Brasil e Estados Unidos e já protagonizou trocas públicas de críticas com Lula.

A administração Trump busca ampliar a influência americana sobre os países latino-americanos e reduzir a presença de Rússia e China na região. Nesse cenário, países como Peru, Colômbia, Chile, Bolívia e Argentina passaram a ser governados por lideranças alinhadas, em diferentes graus, à política de Washington.

Com esse novo cenário regional, o Brasil permanece como o principal país da América Latina governado por uma administração de esquerda, enquanto a relação com os Estados Unidos segue marcada por divergências diplomáticas e comerciais.

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