Padre excomungado divulga carta e critica liderança da Igreja Católica no Brasil

Patricia Calderon
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Padre excomungado diz que foi advertido por recriminar rituais de macumba (Foto Reprodução Redes Sociais)

O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, excomungado pela Igreja Católica após aderir à Fraternidade Sacerdotal Pio X (FSSPX), tornou pública nesta quinta-feira (16) uma carta aberta direcionada aos católicos de Brasília. No documento, ele critica integrantes do alto clero brasileiro, afirma ter sido repreendido por denunciar práticas que classificou como rituais de macumba em igrejas católicas e também menciona episódios de abusos sexuais envolvendo membros do clero.

A reportagem enviou a íntegra da carta à Arquidiocese de Brasília, que respondeu por meio de nota. Segundo a instituição, seu posicionamento oficial permanece o mesmo divulgado no documento “Nota Pastoral sobre a denominada ‘Capela Santo Atanásio’ e o Revdo. Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa”, publicado em seu site oficial.

Na nota pastoral divulgada em 11 de julho, a Arquidiocese de Brasília informou que o Vaticano decretou, em 2 de julho, o cisma e a excomunhão dos envolvidos nas ordenações episcopais realizadas pela Fraternidade Sacerdotal Pio X sem autorização do papa. As ordenações ocorreram em 1º de julho e envolveram quatro presbíteros da entidade.

De acordo com a Arquidiocese, Françoá Costa passou a integrar oficialmente a Fraternidade em 5 de abril de 2025 e, por isso, passou a ser considerado cismático e excomungado após a publicação do decreto da Santa Sé. A medida também alcança os demais ministros ligados à FSSPX.

“Os atos ministeriais do sacerdote consideram-se, a partir da excomunhão, ilícitos”, diz. A nota acrescenta que os sacramentos da confissão e do matrimônio ministrados por ele são nulos.

A Arquidiocese também afirmou que os fiéis que frequentam regularmente ou de forma exclusiva atividades promovidas pela Fraternidade passam a ser considerados, da mesma forma, cismáticos e excomungados.

“Portanto, as celebrações, atividades pastorais, iniciativas de formação ou demais atos promovidos na denominada ‘Capela Santo Anastácio’ são considerados irregulares por não se exercerem em comunhão com o Romano Pontífice, nem com o Arcebispo Metropolitano de Brasília, e devem ser terminantemente evitados pelos fiéis, em razão do grave risco de gradual aderência ao mesmo cisma e excomunhão.”

Mesmo diante da decisão da Igreja, Françoá Rodrigues Figueiredo Costa afirma que considera a excomunhão inválida e segue celebrando missas normalmente.

Na carta de oito páginas, o sacerdote relata que, ao longo de 22 anos de ministério, enfrentou divergências com bispos, padres e leigos por defender aquilo que considera ser a verdadeira doutrina católica. Entre os episódios citados está uma denúncia feita em setembro de 2022 sobre eventos que classificou como rituais de macumba realizados em uma paróquia de Sobradinho e também na Catedral de Brasília.

Segundo ele, um vídeo sobre o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e, posteriormente, recebeu uma determinação da Arquidiocese para remover o conteúdo da internet. “o que na época eu fiz, pois talvez eu acreditasse na obediência cega que eles tanto apregoam”.

O padre também afirmou que trabalhou durante quatro anos na Arquidiocese de Brasília e que chegou a representar os sacerdotes da região de Ceilândia em assuntos pastorais e de coordenação. Ainda segundo seu relato, foi retirado da Paróquia Senhor Bom Jesus, em 2024, após colocar, dentro do Missal Romano, folhas com traduções em latim dos textos litúrgicos.

Ao longo da carta, Françoá cita exemplos de santos que, segundo ele, enfrentaram decisões da hierarquia eclesiástica, como Santo Atanásio e Santa Joana D’Arc, e que posteriormente foram reconhecidos pela Igreja.

O sacerdote também reafirma sua oposição a aspectos do Concílio Vaticano II. “Não podemos aceitar os erros do Concílio Vaticano II, entre eles, a liberdade religiosa, o ecumenismo, o humanismo horizontal, a reforma da Missa, a colegial-sinodalidade.”

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