Cerca de 15% das pessoas com 70 anos ou mais apresentam algum transtorno mental, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os quadros mais comuns estão a depressão e a ansiedade, mas muitos idosos permanecem sem diagnóstico e tratamento por longos períodos.
A dificuldade em identificar esses transtornos está, em parte, na forma como eles se manifestam. Na velhice, a depressão nem sempre provoca tristeza evidente ou episódios frequentes de choro. Mudanças de comportamento e sintomas físicos podem acabar ocupando esse lugar.
Irritabilidade, alterações no sono, redução do apetite, dores recorrentes e problemas de memória estão entre as manifestações que podem acompanhar a depressão em idosos. Por isso, mudanças persistentes no comportamento merecem atenção.
A apatia é especialmente importante. Quando a pessoa perde o interesse e a iniciativa para atividades que costumavam fazer parte do cotidiano, pode haver um problema de saúde por trás dessa transformação.
Parar de preparar as próprias refeições, abandonar o cuidado com plantas, evitar encontros com amigos ou deixar de se preocupar com a própria aparência não deve ser automaticamente atribuído à idade. Essas mudanças podem indicar que algo não está bem.
A relação entre depressão e dor crônica também pode dificultar a identificação do problema. O desconforto físico pode reduzir a mobilidade, prejudicar o sono e favorecer o afastamento social. Ao mesmo tempo, a depressão pode intensificar a percepção da dor e dificultar a continuidade dos cuidados médicos.
A manutenção dos vínculos sociais e da atividade física pode contribuir para a proteção da saúde mental. Para adultos mais velhos, a recomendação é alcançar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, respeitando as condições e limitações de cada pessoa.
Quem está deprimido, porém, pode não ter energia ou motivação para voltar sozinho às atividades que antes faziam parte de sua rotina. Por isso, o apoio de familiares e pessoas próximas pode ser importante para perceber a mudança e incentivar a busca por ajuda.
O diagnóstico da depressão é clínico e o tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou a combinação das duas abordagens. O primeiro passo, no entanto, é reconhecer que uma mudança significativa no comportamento não deve ser tratada simplesmente como parte do envelhecimento.
