Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA) fez críticas à condução da operação da Polícia Federal que o envolve em investigações relacionadas ao Banco Master.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o parlamentar disse ter feito uma reclamação direta ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a divulgação de imagens registradas durante a busca e apreensão em seu apartamento funcional, em Brasília.
Wagner afirma que a divulgação das cédulas de moeda estrangeira apreendidas na nona fase da Operação Compliance Zero contrariou decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado que os mandados fossem cumpridos de forma discreta, em razão do sigilo da investigação.
Para o petista, houve uma tentativa de transformar a investigação em espetáculo, e caberia à direção da PF apurar o caso. Segundo os investigadores, o político teria recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e valores que totalizariam R$ 3,5 milhões em propina, por meio de uma empresa ligada a um parente.
“Falei. ‘Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe’. O senador disse também: “Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram. Eu disse para ele (Lula) que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização”, destacou.
“Questiono a exposição absolutamente inconveniente e não determinada pelo magistrado que preside a ação. Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia vai continuar nesse tipo de espetacularização, eu acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, acrescentou.
Jaques Wagner disse ter levado a insatisfação diretamente ao presidente, afirmando que não pretendia pedir proteção política, mas sim uma correção de procedimento. Ele ainda avaliou que a divulgação das imagens contribuiu para associar seu nome ao caso envolvendo o Master.
“Eu não estou pedindo que não me investiguem, só estou dizendo para não fazer a patacoada que fazem. Aquela foto foi para tudo que é capa de jornal. Eu acho que isso é condenação a priori”. Em relação à operação em si, ele disse que “construíram uma tese” e que “não vão provar”.
O senador também afirmou que resistia a deixar o cargo por entender que a decisão poderia ser interpretada como uma admissão de culpa. A mudança de posição ocorreu após uma conversa pessoal com Lula.
