Em meio à polarização política no Brasil, cerca de 27% dos eleitores não se consideram nem antipetistas nem antibolsonaristas. Esse grupo afirma estar aberto a votar no candidato que melhor represente seus interesses, acompanhando discursos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e demais candidatos ao Palácio do Planalto.
Segundo pesquisa Genial/Quaest, os eleitores não polarizados têm maior incidência entre os mais pobres e entre aqueles que se declaram independentes, sem identificação com a direita ou a esquerda.
O diretor do instituto, Felipe Nunes, evita afirmar o que esse grupo valoriza, já que a pesquisa não aprofunda esse ponto. Ainda assim, os dados gerais indicam uma tendência.
“O que a estrutura do dado sugere, e aí é leitura minha, é que, por não responderem ao apelo ideológico, esses eleitores tendem a decidir por entrega concreta: renda, custo de vida, percepção de melhora de vida. É o eleitor que responde a resultado de governo, não a narrativas”, destaca.
De acordo com o levantamento, os eleitores neutros têm se aproximado de Lula, influenciados por propostas como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1. No recorte de avaliação de governo, o placar é de 51% a 40%. Esse grupo oscila conforme o cenário político e econômico, sem posição ideológica fixa.
Sem rejeição fixa aos polos políticos, o eleitor não polarizado se torna peça central das campanhas. É esse grupo que Lula, Flávio Bolsonaro e outros presidenciáveis tentam conquistar.
As diferentes classificações do eleitorado seguem estáveis ao longo dos meses, dentro da margem de erro de dois pontos da Genial/Quaest. Em valores absolutos, o antipetismo atingiu em junho a menor marca da série histórica, com 29%, enquanto o antibolsonarismo está em 31%.
