O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, afirmou nesta quarta-feira (5), em entrevista ao g1 e à GloboNews, que pretende negociar com parlamentares do Centrão caso vença a eleição. Apesar de fazer críticas ao grupo e classificá-lo como “parasitas”, o candidato disse que considera necessário estabelecer diálogo com os congressistas para conseguir aprovar suas propostas.
Entre as medidas que dependeriam de articulação no Congresso está a chamada PEC Fiscal, apresentada por Renan como uma proposta voltada à redução das despesas públicas. Durante a entrevista, ele admitiu a possibilidade de dividir o texto em partes para tentar facilitar sua análise e votação pelos parlamentares.
Segurança pública, PEC Fiscal e relação com o Congresso
A proposta econômica defendida por Renan inclui mudanças na forma como determinados recursos são vinculados às áreas de saúde e educação. O candidato também defendeu a desindexação de benefícios que têm seus valores relacionados ao salário mínimo, como parte de um conjunto de medidas para conter o crescimento das despesas do governo.
Sobre sua relação com o Congresso, Renan afirmou que pretende conversar com deputados e senadores para viabilizar a aprovação de seus projetos. A disposição para negociar, no entanto, não significa que tenha abandonado as críticas aos integrantes do Centrão, grupo ao qual voltou a se referir como “parasitas”.
Outro ponto discutido foi a declaração ‘Prendeu, matou’, feita pelo candidato durante a convenção do Missão. Renan afirmou que a frase representava uma mensagem política relacionada à intenção de adotar uma postura “dura” no combate à criminalidade. Segundo ele, a interpretação dada à declaração é “confusa”.
A política de segurança adotada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, também entrou na conversa. Renan já declarou admiração pelo chefe do Executivo salvadorenho, mas negou que queira aplicar no Brasil medidas como prisões sem autorização judicial, julgamentos coletivos ou detenções fundamentadas exclusivamente em denúncias anônimas.
Renan Santos fala sobre feminicídio
Ao ser questionado sobre políticas destinadas ao enfrentamento do feminicídio, Renan reconheceu que não possui uma proposta própria específica para mulheres. Para ele, o combate ao crime deve envolver principalmente ações desenvolvidas pelos governos estaduais e municipais, com participação das polícias e das guardas civis.
O plano de governo apresentado pelo candidato não possui uma proposta específica sobre feminicídio. Renan citou como referências para o tema o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Na avaliação do candidato, existe uma aceitação social da violência praticada contra mulheres, situação que também contribuiria para que parte dos casos não chegue às autoridades. Ele afirmou que muitas vítimas deixam de denunciar por receio de comprometer a própria estrutura familiar.
“O homem que comete o feminicídio, a violência contra a mulher, ele é o mesmo homem que fala que tem que matar os bandidos. Ele não se vê como alguém que está cometendo um crime e, às vezes, a mulher, na ânsia de manter o núcleo familiar dela vivo, não reporta. Então você tem um número gigantesco de casos não reportados”, afirmou.
Série de entrevistas com presidenciáveis
A entrevista de Renan Santos faz parte de uma sequência de conversas com candidatos à Presidência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia sido escolhido por sorteio para abrir a série na terça-feira (4), mas comunicou que não participaria.
A programação prevê ainda entrevistas com Romeu Zema (Novo), na quinta-feira (6), e Ronaldo Caiado (PSD), na sexta-feira (7). Flávio Bolsonaro (PL) está previsto para participar na segunda-feira (10), embora ainda não tenha confirmado presença.
