Pai encontra bilhetes escritos pela filha antes de sua morte

Patricia Calderon
3 min de leitura
Sergio Fermino, a mulher Gislene e a filha Isabela (Foto Reprodução)

Às vésperas do dia em que Isabela Fermino completaria 11 anos, o pai da menina, Sérgio Fermino, encontrou uma lembrança inesperada da filha. Pequenos bilhetes escritos por Isabela estavam escondidos dentro de uma escova de cabelo que ela usava. A descoberta ocorreu na segunda-feira (18), um dia depois de Sérgio visitar o túmulo da filha no Cemitério Parque das Flores, em Hortolândia.

Isabela morreu aos 7 anos, após ser atingida pela queda de uma árvore na Lagoa do Taquaral, em Campinas. Três anos e seis meses depois da tragédia, os recados encontrados na escova despertaram uma forte emoção no pai, que havia passado por um momento de tristeza intensa no dia anterior.

“Eu chorei muito lá no domingo. Fui ter um tempo específico de meditação sobre a saudade que eu sinto, de pedir para Deus me curar e me tratar. Na segunda-feira, quando fui pentear o cabelo, essa escova caiu da minha mão e se abriu. Dentro dela tinham alguns papeizinhos enrolados”, relatou.

Sérgio contou que ficou ainda mais emocionado ao descobrir o que estava escrito nos pequenos papéis. Para ele, as mensagens surgiram em um momento especialmente difícil e trouxeram uma sensação de conforto.

“Um dos papeizinhos dizia: ‘Pai, aqui é a Isabela’. Em outro estava escrito: ‘Ti amo’. Um dia depois de eu ter morrido de chorar de saudade, vem um presente desse. Para mim é inexplicável se não for um ato da bondade de Deus”, afirmou.

A escova também tinha um significado afetivo para Sérgio. Era com ela que ele penteava o cabelo da filha antes de ela sair para a escola. Como os dois tinham cabelos crespos, o objeto acabou sendo compartilhado pela família.

“A minha responsabilidade era pentear o cabelo da minha filha. Todos os dias, era eu que penteava o cabelo da minha filha. E dava um trabalho, exigia bastante creme, viu? O meu cabelo também é um cabelo crespo, então ela serve para mim. Então, nós compartilhávamos a mesma escova”, recorda.

Ao analisar os bilhetes, Sérgio percebeu que eles provavelmente foram feitos durante a pandemia de Covid-19. Naquele período, ele participou do processo de alfabetização da filha e acompanhou de perto seus primeiros avanços na escrita.

“Eu identifiquei que de fato foi a época em que ela estava aprendendo a juntar as letrinhas. Eu investi um tempo com ela em casa pra ensinar ela a ler. Escrever, não, mas aí ela sozinha tentava juntar as letrinhas, né?”, conta.

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