A advogada Maria Fernanda Mituo, responsável pela defesa dos interesses da família de um menino de 5 anos envolvido no caso que resultou na prisão em flagrante do ator Marco Furlan, relatou que a criança passou a apresentar alterações comportamentais depois do episódio investigado. O caso aconteceu durante uma festa de aniversário em Pindamonhangaba, no interior paulista. Em entrevista ao UOL, a advogada afirmou que o garoto, que é neurodivergente, estaria assustado e teria apresentado uma regressão desde o ocorrido.
De acordo com Maria Fernanda, o menino já realiza acompanhamento relacionado à neurodivergência e passou a demonstrar agitação e episódios de agressividade depois do caso. A advogada afirmou que, pela idade e pelas próprias características da criança, ele não consegue compreender completamente o que teria acontecido.
“Ele faz tratamento pela questão da neurodivergência e regrediu um pouco. Ele está um pouco assustado, um pouco agitado, às vezes agressivo por conta dos fatos, mas ele não consegue entender, até por conta da idade e da neurodivergência”, afirmou.
A mãe do menino também estaria enfrentando dificuldades emocionais desde o episódio. Segundo a representante da família, ela permanece nervosa e assustada com a situação e teria passado a se responsabilizar pelo ocorrido, embora, conforme ressaltou a advogada, não tenha culpa pelo que aconteceu.
“A mãe está muito assustada, muito nervosa com toda a situação. Ela se culpa a todo momento, apesar de que a culpa não é dela. A culpa é do abusador. Ela está em estado de choque e não consegue acreditar no que aconteceu”, declarou.
O que teria acontecido durante a festa
Conforme o relato apresentado pela advogada, o menino estava dormindo em um dos quartos da residência onde acontecia a comemoração. Em determinado momento, a mãe entrou no cômodo para verificar a criança, apagou a luz e voltou para o espaço onde os convidados estavam reunidos.
Depois de aproximadamente dez minutos, a mãe teria escutado o filho gritar que “estava doendo”. Ao retornar ao quarto, segundo o relato, ela encontrou o ator e a criança nus sobre a cama.
Ainda de acordo com Maria Fernanda Mituo, Marco Furlan teria afirmado aos convidados que havia consumido bebida alcoólica e confundido o menino com a própria namorada.
O ator é primo da aniversariante, que, segundo a advogada, é amiga da mãe da criança. Conforme o relato, Furlan não tinha contato anterior com o menino ou com os familiares dele.
A advogada também questionou o tempo levado para a emissão da guia necessária à realização do exame pericial no Instituto Médico Legal (IML). Para ela, a demora pode comprometer a obtenção de elementos que contribuam para a investigação.
“A requisição demorou três dias para sair. Nesses casos, conseguimos configurar com mais firmeza o estupro nas primeiras 24 horas. Já haviam se passado 72 horas quando o exame foi realizado”, afirmou.
Segundo a advogada, a realização da perícia foi mantida mesmo após o intervalo porque o atendimento hospitalar, conforme explicou, não seria suficiente para determinar se houve eventual penetração. Por esse motivo, o exame no IML foi considerado necessário.
A expectativa informada pela representante da família é de que os resultados da perícia sejam concluídos em cerca de três semanas.
