A família de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, contesta a versão apresentada por um dos envolvidos na abordagem que terminou com a morte do homem em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Cláudio foi espancado na noite de 11 de agosto, após ser acusado de estar com uma bicicleta que, segundo os familiares, pertencia à irmã dele. A vítima morreu no dia seguinte, após ser socorrida para o Hospital Municipal Miguel Couto.
A Polícia Civil investiga o caso pela 12ª DP (Copacabana). Imagens de câmeras de segurança passaram a ser uma das principais peças para reconstruir a sequência de acontecimentos. Segundo informações divulgadas pela investigação, Cláudio foi agredido durante vários minutos e recebeu diversos golpes, inclusive na cabeça.
Em entrevista, uma prima da vítima afirma que as imagens mostram uma dinâmica diferente daquela apresentada pelo segurança durante o depoimento. Para ela, o primeiro ponto de contradição está na própria abordagem.
“Ele não perguntou de quem era a bicicleta”
Segundo a familiar, Cláudio não teria sido questionado simplesmente sobre a propriedade da bicicleta. A pergunta, de acordo com o relato dela, teria sido se o veículo era dele.
A diferença, para a família, é fundamental.
Cláudio respondeu que não. A bicicleta, de fato, não era dele: pertencia à irmã e havia sido emprestada para que ele pudesse utilizá-la.
A prima questiona por que, diante da resposta, surgiu imediatamente a suspeita de que o veículo pudesse ser produto de crime.
“Ele pressupôs que a bicicleta era roubada”, afirma a prima.
A familiar também chama atenção para o comportamento de Cláudio nas imagens. Segundo ela, o homem aparece sentado em uma escada, aparentemente tranquilo, sem demonstrar reação de confronto.
Para a família, esse comportamento seria incompatível com a hipótese de que ele estivesse tentando fugir após cometer um roubo.
Família questiona por que Cláudio foi levado para uma rua escura
Outro ponto levantado pela prima é o deslocamento de Cláudio para a Rua Felipe de Oliveira, local onde ocorreu a sequência mais grave de agressões.
Segundo ela, trata-se de uma via predominantemente residencial, com pouca circulação de pessoas durante a madrugada e pouca movimentação comercial.
A familiar questiona por que uma situação que, inicialmente, seria apenas uma suspeita envolvendo uma bicicleta terminou com a vítima sendo levada para uma região mais isolada.
Imagens analisadas pela polícia mostram Cláudio sendo cercado e posteriormente agredido. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (20), um dos homens presos teria participado da abordagem inicial, enquanto outro suspeito, apontado como responsável por desferir dezenas de golpes contra a vítima, está foragido. A polícia também procura outros dois homens que teriam participado da condução de Cláudio até o local das agressões.
“Ele veio com o pau, ele não veio para conversar”
A prima também descreve a sequência das imagens e afirma que, na avaliação da família, a violência não teria começado de maneira espontânea.
Segundo ela, um dos homens aparece pegando um pedaço de madeira antes de atingir Cláudio.
Na interpretação da familiar, isso demonstraria que a intenção já seria partir para a agressão.
Ela também afirma que outros homens teriam participado da violência posteriormente, incluindo uma pessoa que, segundo a família, não seria entregador.
As imagens são analisadas pela polícia para determinar exatamente o papel de cada envolvido e a responsabilidade individual pelas agressões.
Vítima estava próxima de casa
Cláudio morava com a mãe e duas irmãs em Botafogo e estava próximo da região onde a família residia quando foi abordado.
A bicicleta utilizada naquela noite pertencia a uma das irmãs.
Familiares afirmam ainda que Cláudio enfrentava problemas psicológicos e poderia apresentar dificuldades de comunicação e comportamento. Para a prima, esse fator é importante para compreender por que ele não reagiu à abordagem da maneira que outras pessoas poderiam esperar.
A família reforça que Cláudio não era criminoso e que a acusação de roubo não tinha fundamento.
Investigação busca esclarecer participação de cada envolvido
A Polícia Civil continua reunindo imagens, depoimentos e outros elementos para reconstruir os minutos que antecederam o espancamento.
Um dos suspeitos, identificado como Jorge Luiz Ricardo Dias, foi preso nesta quinta-feira (20). Segundo a investigação, ele teria participado da abordagem inicial, mas não seria apontado como responsável direto pelas agressões que causaram a morte.
Outro segurança, identificado como Davi Santos Machado, é procurado pela polícia. Segundo as investigações, ele teria desferido ao menos 30 golpes contra Cláudio.
A vítima sofreu traumatismo craniano e hemorragia interna e morreu após ser encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto.
Agora, a principal questão para a família é entender como uma suspeita envolvendo uma bicicleta, que pertencia a uma pessoa da própria família de Cláudio, terminou em uma sequência de agressões que tirou a vida de um homem de 37 anos.
A prima afirma que as imagens precisam ser analisadas integralmente e que todos os envolvidos devem ser responsabilizados individualmente pelo que fizeram.
Para os familiares, o caso não pode ser tratado apenas como uma briga ou uma abordagem que saiu do controle. Eles sustentam que houve uma sucessão de decisões tomadas com base em uma suspeita que nunca foi comprovada — e que terminou de forma fatal.
