Bebê que morreu em creche ficou preso em grade por seis minutos antes de ser socorrido

Patricia Calderon
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Bebê que morreu em creche ficou preso em grade por seis minutos antes de ser socorrido (Foto Reprodução Redes Sociais)

As imagens das câmeras de segurança da Creche Luz do Brás, localizada na região central de São Paulo, mostram que Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, permaneceu preso por aproximadamente seis minutos antes de receber atendimento das funcionárias da unidade. O menino morreu na manhã de quarta-feira (22), após prender a cabeça entre uma barra de ferro e um espelho enquanto participava de uma atividade recreativa.

Segundo a apuração da Polícia Civil, a criança estava em uma sala multiuso com outras crianças quando se deitou no chão e colocou a cabeça no espaço entre a estrutura metálica que sustentava o espelho e a parede. As gravações indicam que o bebê tentou se soltar durante vários minutos e só foi retirado do local quando monitoras perceberam a situação.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 9h20, após funcionários da creche abordarem uma equipe que patrulhava a região enquanto levavam a criança nos braços. Abdoulaye foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca, mas não resistiu.

O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e está sob investigação do 8º Distrito Policial, no Brás. O boletim de ocorrência inclui cinco profissionais da creche entre os investigados, entre elas coordenadoras, diretoras e pedagogas.

O pai da criança, Ibrahima Dieng, imigrante senegalês que vive no Brasil há oito anos, contou que deixou o filho na creche por volta das 7h30. Cerca de uma hora e meia depois, recebeu uma ligação informando que o menino havia sofrido um acidente.

“Hoje foi lá na escola e depois ele fala ligar (…) chegou, ele fala ‘cadê criança?’, esperar e depois ele morreu”, disse.

Abalado, Ibrahima afirmou que a perda devastou a família. “Tem que chorar, chorar muito assim, é triste.”

Segundo ele, a mãe da criança passou mal ao receber a notícia. “Chora muito… é triste, muito. Vai ser muito difícil recuperar.”

O advogado da família, Erson de Oliveira, afirmou que as imagens reforçam a suspeita de ausência de supervisão no momento do acidente.

“O que foi relatado para a gente é que a criança estava brincando sem supervisão. Ela prendeu a cabeça num ferro que prende um espelho e se asfixiou sem socorro, sem ajuda de ninguém, até falecer”, disse.

Na avaliação da defesa, o fato de o menino permanecer preso por cerca de seis minutos evidencia uma falha no monitoramento da unidade.

“Da mesma forma que colocou a cabeça, se tivesse alguém para levantar o corpinho conseguiria tirar facilmente. Não houve esse auxílio.”

O advogado também questiona a decisão da creche de transportar a criança até a unidade de saúde, em vez de acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou o Corpo de Bombeiros.

A Polícia Civil preservou o local para a realização da perícia pelo Instituto de Criminalística e solicitou exame necroscópico ao Instituto Médico Legal (IML), que deverá apontar oficialmente a causa da morte.

Até a última atualização do caso, nenhum dos investigados havia sido preso.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que policiais militares que patrulhavam a região foram abordados por funcionários da creche, que já prestavam socorro à criança e a levavam para a UPA Mooca.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) lamentou a morte do menino, manifestou solidariedade aos familiares e informou que equipes da Diretoria Regional de Educação e do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) prestam assistência à família.

“As circunstâncias da ocorrência no CEI parceiro Luz do Brás estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes. A secretaria colabora integralmente com as investigações e adotará todas as providências cabíveis após a conclusão da apuração dos fatos.”

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que Abdoulaye deu entrada na UPA Mooca na manhã de quarta-feira (22), recebeu atendimento da equipe médica, mas morreu na unidade apesar das tentativas de reanimação.

“A criança deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca na manhã desta quarta-feira (22), onde recebeu atendimento da equipe médica. Apesar de todos os esforços assistenciais, o óbito foi confirmado na unidade, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS).”

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