Homem é preso suspeito de fingir ser juiz para aplicar golpes em vendedores no Paraná

Patricia Calderon
3 min de leitura
Homem é preso suspeito de fingir ser juiz para aplicar golpes em vendedores no Paraná (Foto Reprodução Redes Sociais)

Um homem de 54 anos foi preso pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) nesta quarta-feira (22), suspeito de se apresentar como juiz para enganar vendedores de imóveis e veículos em Curitiba. De acordo com a investigação, ele abordava pessoas que anunciavam bens na internet e usava uma identidade falsa para convencê-las a realizar pagamentos antecipados sob a promessa de adquirir mercadorias supostamente apreendidas em leilões. A captura foi realizada em Blumenau, em Santa Catarina, com apoio da Polícia Civil catarinense (PCSC).

As apurações indicam que o investigado procurava proprietários de imóveis e automóveis anunciados em plataformas digitais demonstrando interesse na compra. Durante as conversas, afirmava ser juiz federal ou estadual e utilizava diferentes nomes, entre eles “Marcus B.”, “Dr. Marcelo” e “Marcelo B.”, para transmitir confiança às vítimas.

Depois de marcar encontros para discutir a negociação dos bens anunciados, o homem mudava o foco da conversa e passava a oferecer eletrônicos e outros produtos que alegava terem sido apreendidos pela Receita Federal ou pela Justiça Federal. Segundo ele, esses itens poderiam ser adquiridos por valores bastante inferiores aos praticados no mercado.

Entre os produtos anunciados estava um iPhone 17 Pro Max por R$ 1.998. O suspeito também dizia ter motocicletas elétricas, televisores de 80 polegadas e outros equipamentos eletrônicos com preços considerados incompatíveis com os valores normalmente encontrados no comércio.

Segundo o delegado Emmanoel David, o investigado afirmava que seria necessário realizar um suposto “depósito judicial” para liberar os produtos. “Em alguns casos, orientava as vítimas a efetuarem transferências via PIX para contas de terceiros”, disse.

As investigações revelaram ainda que os encontros eram frequentemente marcados dentro ou nas proximidades dos fóruns de Curitiba. Nesses locais, o suspeito recebia dinheiro em espécie e, em determinadas situações, recolhia documentos originais das vítimas, como carteira de identidade e Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Após receber os valores, orientava as vítimas a aguardarem em salas, gabinetes ou vagas de estacionamento que, na prática, não existiam. Enquanto elas esperavam, ele deixava o local sem retornar.

Entre os casos identificados pela polícia está o de um homem que entregou R$ 4 mil em dinheiro em um estacionamento. Em outro episódio, uma mãe e a filha sacaram R$ 4 mil e repassaram a quantia pessoalmente ao suspeito, que fugiu logo após receber o valor.

A Polícia Civil informou que o investigado possui diversos registros criminais e é apontado como responsável por aplicar o chamado “golpe do leilão fantasma” em diferentes estados. Há ocorrências atribuídas a ele no Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

O suspeito foi indiciado por estelionato. O inquérito já foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.

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