Juliano Cazarré se pronunciou pela primeira vez sobre o processo trabalhista movido por uma ex-funcionária que trabalhou em sua residência.
Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de sexta-feira (26), o ator negou as acusações feitas pela ex-babá e afirmou que ele e a esposa, Leticia Cazarré, têm documentos e provas para contestar todas as alegações apresentadas na Justiça.
A ação, divulgada inicialmente pelo colunista Daniel Nascimento, do jornal O Dia, solicita uma indenização de R$ 225.686,20 e reúne uma série de acusações relacionadas às condições de trabalho. Entre elas, estão a alegação de jornadas prolongadas, pagamento parcial de salário sem registro, solicitações fora do horário, acúmulo de funções, restrições ao acesso a atendimento médico e supostos casos de assédio moral. As jornadas chegariam a até 14 horas diárias.
No início da declaração, Cazarré explicou que optou por falar publicamente por não aceitar as acusações, que, segundo ele, representam uma injustiça.
“Talvez eu não devesse gravar esse vídeo, mas não aguento injustiça e não sou o cara que fica se escondendo. Não tenho nada para esconder. Vou falar sobre esse processo que está rolando de uma ex-babá contra a Letícia e eu. Ela está alegando que trabalhava horas demais, que era acionada de madrugada, que a gente pagava o salário dela por fora da carteira”, começou ele.
Na sequência, o artista afirmou que a suposta decisão de parte do pagamento ser feita sem registro teria partido da própria funcionária. Segundo ele, o salário, inicialmente, era registrado em carteira no valor de R$ 5.500.
Ele relatou ainda que, após o primeiro pagamento, a funcionária teria se incomodado com os descontos de impostos e solicitado ao casal que a demitisse, passando a receber por fora durante um período, até que pudesse ser recontratada legalmente por um valor menor, com o objetivo de reduzir encargos. O restante da remuneração, segundo ele, seria complementado informalmente.
“Essa moça chegou em casa bem recomendada e pediu R$ 5.500. A gente aceitou pagar. Ela mora longe do Rio de Janeiro e não poderia ir e voltar todos os dias. O que ficou acordado com ela é que ela trabalharia lá em casa de segunda a quinta-feira. A escala dela era quatro por três. Trabalhava quatro dias, ficava três noites em casa e tinha quatro noites na casa dela com a família. A gente assinou a carteira dela com os R$ 5.500 que ela pediu. Só que, quando chegou o primeiro contracheque dela, ela viu os descontos e falou: ‘Não! Não dá! É muito imposto’. Eu sei que é muito imposto”, contou.
“Ela falou : ‘Assim não pode ser. Não vou aceitar. Vocês têm que me demitir e pagar o meu salário inteiro por fora durante tantos meses até poder me recontratar e me recontratar pagando menos para eu ter menos desconto e pagando o resto por fora’. A gente não queria fazer isso porque isso nos joga na ilegalidade, mas a gente também não queria perder uma babá, uma pessoa que, enquanto estava trabalhando como babá, trabalhava muito bem. A Letícia estava precisando voltar ao trabalho também. Fizemos o que ela pediu. A forma como ela estava sendo paga foi a forma que ela nos pediu para fazer”, acrescentou.
Em relação à acusação de que a profissional seria acionada durante a madrugada, Juliano Cazarré comentou que ela não dormia na residência da família. Ele também destacou que a babá era responsável apenas pelo filho caçula, Estevão, de 2 anos, e que, segundo ele, a criança “praticamente não dava trabalho”. Os outros cinco filhos, Vicente, de 16, Inácio, de 14, Gaspar, de 7, Maria Madalena, de 5, e Maria Guilhermina, de 4, não ficariam sob sua responsabilidade o tempo todo.
“O quarto em que ela ficava era uma suíte que não fica dentro da casa, fica na edícula. Então ela nunca foi acionada de madrugada e nunca ouviu um choro de criança de madrugada. Se o bebê acordar, sou eu que vou no quarto pegar. Ela tinha duas horas de almoço. Parava de trabalhar ao meio-dia e só voltava depois das duas da tarde. E ela só cuidava do bebê, do Estêvão. Ela ajudava no café da manhã de todo mundo; às 7h da manhã, eu saía de casa com as crianças para o colégio, depois trazia, lá pelas 15h30, eles do colégio. Ela recebia o Gaspar e Madalena lá pelas quatro da tarde com lanchinho, levava por uma hora e meia da praça, depois era voltar da praça, banho, janta, cama e acabou. Então, ela passava o dia inteiro com o Estevão, que é um bebê que não chora, não dá trabalho e come de tudo. Quando ela chegou lá em casa, a gente já tinha ensinado ao Estêvão os horários de dormir. Se você o larga no berço acordado, ele dorme sozinho a noite toda. Já tinha esse horário de sono depois do almoço, que era quando ela tirava as duas horas de descanso”, explicou.
O global também negou a acusação de que teria impedido a funcionária de buscar atendimento médico após uma suposta reação alérgica. Ele afirmou, ainda, que teria colocado à disposição um profissional de saúde particular para prestar assistência, caso fosse necessário.
Por fim, ele revelou que tentou chegar a um acordo com ela, sugerido pelo Sindicato dos Trabalhadores Domésticos, mas que ela não teria aceitado o valor sugerido de R$ 8.500: “Quando ela foi demitida, ela procurou o sindicato dos trabalhadores domésticos e o sindicato ofereceu um acordo para a gente de R$ 8.500. Ela não quis aceitar esse acordo e fez um barulho tão grande que o sindicato pulou fora. Ela arranjou um advogado e fez esse processo. Eu confio na Justiça e a gente tem como provar tudo o que eu falei aqui”.
