STF define rito para julgamento sobre mensagens entre Moraes e Vorcaro

Patricia Calderon
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O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta segunda-feira (14) as regras para a sessão extraordinária marcada para terça-feira (15), que terá como principal pauta o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O documento reúne 52 mensagens e levanta questionamentos sobre a relação entre os dois. A sessão é considerada inédita porque os ministros deverão analisar um relatório policial que envolve diretamente um integrante da própria Corte.

A reunião será conduzida pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, que assumiu a relatoria do caso após uma sequência de decisões divergentes e comunicações entre os gabinetes dos ministros. O julgamento terá transmissão pela TV Justiça, enquanto o acesso presencial ao plenário será limitado.

Segurança reforçada e dúvidas sobre o julgamento

A área próxima ao Supremo terá um esquema especial de segurança durante a sessão. Segundo o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, o policiamento será reforçado na Praça dos Três Poderes e no Anexo do tribunal. A operação também contará com drones e equipamentos de monitoramento.

Embora a sessão esteja confirmada, ainda existem discussões internas sobre alguns detalhes do julgamento. Entre os pontos debatidos estão o rito que será adotado, a composição do plenário e a participação de ministros que possam ter algum tipo de envolvimento com os fatos analisados.

Fachin tem conversado com os integrantes da Corte para estabelecer os procedimentos que serão seguidos durante a sessão. O conteúdo do relatório da Polícia Federal é um dos principais elementos que estarão em discussão.

O relatório da Polícia Federal

O documento foi produzido por determinação de André Mendonça dentro das investigações relacionadas ao caso Banco Master. Segundo a PF, Daniel Vorcaro teria se encontrado oito vezes com Alexandre de Moraes e procurado o ministro para tentar conter medidas que poderiam afetar o banco.

O relatório também aponta que Moraes teria participado da análise de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Pedido de anulação da PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pelo arquivamento e pela anulação do relatório. O procurador-geral Paulo Gonet afirma que existem problemas formais na maneira como o documento foi produzido.

Segundo a PGR, a elaboração do relatório foi determinada por Mendonça sem uma solicitação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal. O órgão também aponta que não houve comunicação prévia à Presidência do STF e sustenta a existência de possível direcionamento na apuração.

Caso os ministros concordem com a tese apresentada pela Procuradoria, o conteúdo das mensagens poderá deixar de ser analisado no mérito.

Ainda assim, mesmo diante de uma eventual anulação do relatório, integrantes do Supremo avaliam que o plenário poderá examinar os elementos obtidos pela Polícia Federal e decidir se eles justificam uma nova investigação sobre a conduta de Moraes.

A questão central será determinar se as mensagens atribuídas a Vorcaro apresentam indícios suficientes para justificar a abertura de uma apuração formal ou se o caso deverá ser encerrado.

Novas quebras de sigilo

Antes da sessão, Moraes pediu a Fachin que retirasse o sigilo de um inquérito identificado como PET 15645. O procedimento reúne informações sobre a rede de pagamentos relacionada ao Banco Master.

A Procuradoria-Geral da República apresentou parecer favorável à divulgação dos dados nesta segunda-feira (14). A decisão final sobre o acesso ao conteúdo cabe a Fachin.

Também nesta segunda, os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, além de Alexandre de Moraes, receberam cópias dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro.

A análise desse material poderá acrescentar novos elementos à discussão. Nos bastidores do Supremo, não está descartada a possibilidade de que os dados levem a novos questionamentos sobre a condução da sessão, incluindo pedidos para adiar a análise ou debates sobre eventual impedimento de ministros.

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