O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou uma investigação para apurar declarações do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), sobre a flexibilização das leis do trabalho infantil. O órgão confirmou a abertura de uma “notícia de fato” após receber denúncias de suposta apologia ao trabalho infantil e ameaça a direitos difusos. A apuração analisará o conteúdo das falas do político para determinar as medidas judiciais cabíveis.
A polêmica teve início após Zema criticar a legislação brasileira em entrevista ao podcast Inteligência Limitada, onde defendeu que menores realizem tarefas simples. Na ocasião, ele afirmou que “infelizmente, no Brasil, se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar”, argumentando que o aprendizado de valores começa cedo. O ex-governador relembrou que começou a trabalhar na infância e comparou a realidade nacional com o exterior, pontuando que “lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe sei lá quantos centavos por cada jornal entregue no tempo que tem”.
O político também utilizou suas redes sociais no Dia do Trabalho para reforçar o posicionamento e atacar o que chamou de visão distorcida da esquerda. Segundo Zema, “aqui no Brasil parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança”, completando que considera a proibição atual “lamentável” e que pretende mudar esse cenário. Ele defendeu que atividades laborais precoces não devem ser confundidas com exploração, mas sim como uma forma de desenvolvimento pessoal.
Em nota oficial, Zema rebateu a repercussão negativa e criticou o que chamou de patrulhamento ideológico sobre quem deseja dar oportunidades aos jovens. O pré-candidato defendeu que adolescentes a partir dos 14 anos possam colaborar com a renda familiar de forma legal: “Quero, sim, que o jovem tenha oportunidade de ajudar a sua família e desenvolver valores e habilidades desde os 14 anos — o que hoje só é possível na informalidade”. O ex-governador finalizou afirmando que as críticas ignoram a realidade de quem vive nas ruas e precisa de alternativas ao recrutamento pelo tráfico.
