Durante o programa GloboNews Debate exibido nesta terça-feira (12), o ator Juliano Cazarré e a psicanalista Vera Iaconelli protagonizaram um embate sobre a crise da masculinidade e o papel dos homens na sociedade atual. Cazarré defendeu que há um estigma crescente sobre o público masculino, afirmando falar para os “homens e meninos que estão há 20 anos ouvindo que todos eles são tóxicos só pelo fato de serem homens”. Segundo o ator, existe uma parcela da população que foi “esquecida” por discursos que ele considera negativos.
O artista, que recentemente lançou o curso “O Farol e a Forja”, voltado para liderança e espiritualidade masculina, também argumentou que existem diferenças naturais de comportamento entre os gêneros. “O homem, ele é um ser mais voltado para resolver problema, para se mexer, para fazer a ação”, declarou Cazarré, ressaltando que deseja criar filhos que sejam “corajosos, sejam viris, resolvam problemas”, mas que também possuam empatia. Ele ainda defendeu a legitimidade de seu projeto, questionando: “Se fosse autoajuda, por que seria ruim?”.
A psicanalista Vera Iaconelli rebateu as premissas do ator, sugerindo que muitos homens interpretam críticas sociais como ataques pessoais. “Homens estão ficando muito ofendidos de ouvir mulheres. Eles pensam que tudo é uma acusação”, pontuou. Iaconelli explicou que o movimento das mulheres não é contra a existência do homem, mas contra a violência: “Quando as mulheres falam ‘olha, parem de nos matar’, elas não estão falando ‘parem de serem homens’. Sejam outro tipo de homem, repensem a masculinidade”.
Ao final do debate, Iaconelli defendeu uma reforma no modelo tradicional de criação e comportamento masculino, em oposição à visão de “virilidade” estrita. Para a especialista, a evolução social depende de uma mudança de postura: “Esse homem precisa começar a pensar se ele consegue colocar junto com a masculinidade dele o cuidado”, concluiu, reforçando a necessidade de os homens se abrirem para ouvir as vivências femininas sobre a violência de gênero.
