Polícia Civil da Paraíba investiga esquema de R$ 150 milhões ligado a cavalo de luxo

Patricia Calderon
3 min de leitura

A Polícia Civil da Paraíba (PCPB) desarticulou uma estrutura que, segundo as investigações, teria sido criada por integrantes da facção criminosa Nova Okáida para esconder e movimentar uma quantia estimada em R$ 150 milhões. O esquema investigado incluía a compra e venda de cavalos de raça, negócios relacionados ao mercado musical regional e operações consideradas atípicas em contas bancárias de alto valor.

Entre os investigados estão Ivan Moura, conhecido no meio criminoso como “Mauro Maromba”, e Yago Cavalcanti, que já disputou uma vaga de vereador em Campina Grande, na Paraíba. De acordo com a apuração policial, o grupo teria utilizado animais da raça Quarto de Milha como parte de uma estratégia para inserir no mercado formal valores provenientes do tráfico. Yago teria montado um haras no Rio Grande do Norte, onde mantinha aproximadamente 15 cavalos.

A investigação identificou também negociações realizadas em leilões virtuais. Em um evento relacionado à marca do cantor Wesley Safadão, quatro animais foram comprados por cerca de R$ 1 milhão. A hipótese investigada é que os valores dos cavalos tenham sido elevados propositalmente para permitir novas transações e dar aparência regular ao dinheiro.

Wesley Safadão não é alvo da investigação. Segundo a apuração, a participação do cantor em vídeos destinados a agradecer compradores fazia parte da dinâmica habitual dos eventos. A assessoria do artista afirmou que as negociações eram conduzidas diretamente pela empresa responsável pelos leilões e que não havia contato direto entre Safadão e os investigados.

As suspeitas também alcançam o setor de entretenimento. Conforme os investigadores, os envolvidos teriam criado uma agência voltada à administração da carreira de artistas de forró. A intenção seria inserir os músicos em festas e eventos promovidos por prefeituras de cidades do Nordeste.

Conversas telefônicas autorizadas judicialmente passaram a fazer parte das provas analisadas pela polícia. Em um dos diálogos, um investigado teria indicado que a lucratividade da atividade estava relacionada à participação dos artistas em festividades municipais.

A investigação considera a possibilidade de que cachês, contratos e apresentações tenham sido utilizados para criar explicações formais para a circulação de dinheiro atribuída à facção. Um dos músicos administrados pela empresa chegou a participar de um videoclipe ao lado de Yago Cavalcanti.

A defesa do cantor afirmou que o artista não tinha conhecimento das atividades ilegais investigadas e que o contrato com a empresa já estava em processo de encerramento.

MARCADO:
Compartilhar este artigo