Feminicídios aumentam 4% no Brasil em 2025, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Patricia Calderon
3 min de leitura
Feminicídios aumentam 4% no Brasil em 2025, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Foto Reprodução Redes Sociais)

O Brasil registrou aumento de 4% nos casos de feminicídio em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23/7). Ao todo, 1.571 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no período. O crescimento ocorre em sentido oposto à redução dos homicídios de mulheres de forma geral no país.

Enquanto os feminicídios avançaram, o número total de homicídios de mulheres caiu. Em 2025, foram contabilizadas 3.539 mortes, contra 3.728 registradas em 2024, o que representa uma redução de 5,1%.

O Fórum Brasileiro da Segurança Pública explica que o feminicídio é caracterizado quando o assassinato ocorre “em razão da condição do sexo feminino, seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

A análise foi elaborada pela pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp) e consultora do FBSP, Isabella Matosinhos, e pela coordenadora de Gênero e Raça do fórum, Juliana Brandão. Segundo as especialistas, os dados revelam um cenário de redução das mortes relacionadas à criminalidade urbana, mas sem reflexo na violência praticada contra mulheres no ambiente doméstico.

“Por outro lado, a violência letal que atinge mulheres dentro de casa, cometida por pessoas que elas conheciam e, na maior parte dos casos, amaram, não tem caído. Ela é a violência que permanece mesmo quando a outra recua”, afirmam.

O levantamento também aponta que, para cada feminicídio consumado, o país registrou três tentativas de assassinato contra mulheres. Em 2025, foram contabilizadas 4.189 tentativas, alta de 5,9% em relação ao ano anterior.

Entre as vítimas de feminicídio, 65,1% eram mulheres negras e 56,5% tinham entre 25 e 44 anos. A maioria dos crimes aconteceu dentro da residência da vítima, representando 62,5% dos casos. Em 60,9% das ocorrências, o autor era um parceiro íntimo.

O anuário também apresenta indicadores sobre outras formas de violência contra a mulher. Para cada feminicídio registrado, houve, em média, 501,9 ameaças, 182,2 casos de agressão física, 84 episódios de descumprimento de medida protetiva, 78,8 registros de stalking e 38,7 ocorrências de violência psicológica.

Outro dado destacado pelo estudo é a taxa de estupros no Brasil, que chegou a 39,5 casos por 100 mil habitantes.

Ao comentar o aumento das tentativas de feminicídio, as pesquisadoras alertam para o risco enfrentado pelas sobreviventes. “O autor não desistiu de matar: ele não conseguiu. As mulheres que hoje figuram nessa estatística podem representar, amanhã, parte das vítimas de feminicídio consumado”, afirmam.

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