Caso Michele: Ecstasy, cabo de madeira e roupas molhadas podem esclarecer morte de capitã da PM

Patricia Domingos
4 min de leitura
Sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira e a capitã PM Michele Leão Azevedo

A investigação sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais avança com a análise de uma série de objetos recolhidos pela perícia na residência onde o crime aconteceu. Entre os materiais apreendidos estão comprimidos de ecstasy, um cabo de madeira, roupas de cama molhadas e outros vestígios que podem ajudar a esclarecer a dinâmica da morte da oficial.

O principal suspeito é o marido da vítima, um sargento da Polícia Militar. Ele foi preso e é investigado por feminicídio. A Polícia Civil trabalha para reconstruir os últimos momentos da capitã e entender se houve tentativa de ocultar provas após o assassinato.

Durante os trabalhos periciais, os investigadores localizaram diversos materiais considerados importantes para a apuração. Entre eles, comprimidos de ecstasy, um cabo de madeira que será submetido a exames para verificar eventual utilização na agressão e roupas de cama que estavam molhadas, levantando a hipótese de que o local possa ter sido limpo após o crime.

Todos os objetos foram encaminhados para análise pericial. Os laudos deverão indicar a existência de sangue, material genético, impressões digitais e outros vestígios que possam confirmar como ocorreu a morte da capitã.
Além disso, os peritos recolheram outros materiais da residência para confrontar as evidências físicas com os depoimentos prestados ao longo da investigação.

Contradições são analisadas

Os investigadores também avaliam as versões apresentadas pelo sargento durante o andamento das investigações. A Polícia Civil busca verificar se as declarações do militar são compatíveis com os vestígios encontrados na casa e com o resultado dos exames periciais.

A expectativa é de que os laudos laboratoriais e o cruzamento das provas técnicas permitam esclarecer a cronologia dos acontecimentos e indicar se houve tentativa de alterar a cena do crime.

Histórico na Polícia Militar

O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira já havia sido exonerado da Polícia Militar de Minas Gerais antes de ser reintegrado à corporação. A exoneração ocorreu porque, durante o processo de ingresso na PM, ele omitiu que havia sido apreendido na adolescência por porte ilegal de arma de fogo e respondido a processos por atos infracionais.

Segundo o acórdão da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ao preencher a ficha de admissão, o policial deixou de informar o histórico. Na época, ele chegou a cumprir seis meses de prestação de serviços à comunidade como medida socioeducativa.

Após a exoneração, Eduardo Abner recorreu à Justiça. Em primeira instância, a decisão administrativa foi anulada, e o Estado de Minas Gerais apresentou recurso. Em 2014, no entanto, o TJMG manteve a decisão favorável ao policial e determinou sua reintegração à Polícia Militar.

Com isso, Eduardo Abner voltou à corporação em 2015 e ainda teve reconhecido o direito de receber os salários referentes ao período em que permaneceu afastado.

Investigação continua

O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Minas Gerais, que aguarda a conclusão das perícias para finalizar o inquérito. Os exames nos objetos apreendidos são considerados fundamentais para confirmar a dinâmica do crime e fortalecer o conjunto de provas que será encaminhado ao Ministério Público.

Enquanto isso, o sargento permanece à disposição da Justiça, investigado pela morte da esposa. O caso continua sendo tratado como feminicídio e segue em fase de apuração.

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