Polícia investiga seis corpos deixados em UPA após operação policial no RJ

Patricia Calderon
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Polícia investiga seis corpos deixados em UPA após operação policial no RJ (Foto Reprodução Redes Sociais)

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de seis homens baleados na comunidade Jardim Novo, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os corpos foram encontrados por moradores e levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Magalhães Bastos, na noite de quinta-feira (9). As circunstâncias em que as vítimas foram atingidas ainda não foram esclarecidas e fazem parte da apuração conduzida pela Polícia Civil.

Segundo informações repassadas inicialmente à unidade de saúde, moradores relataram que os homens teriam sido baleados durante uma operação da Polícia Militar realizada na comunidade. O Jardim Novo é apontado pelas autoridades como uma área de atuação da facção Amigos dos Amigos (ADA). Investigações da polícia também indicam a existência de um acordo entre integrantes da ADA e do Comando Vermelho (CV), permitindo que a organização utilize a região como rota de acesso a territórios controlados por grupos rivais.

A ação policial começou por volta das 5h de quinta-feira com a participação de equipes do 14º BPM (Bangu), além do apoio de policiais dos batalhões de Rocha Miranda e Irajá. Conforme a Polícia Militar, houve confronto durante a entrada na comunidade. Ao longo da operação, um homem foi preso.

Ainda segundo a corporação, os agentes localizaram uma fábrica clandestina de munições equipada com impressoras 3D e estrutura para fabricação de projéteis de diferentes calibres. Também foram apreendidos dois fuzis, uma submetralhadora, duas pistolas, cinco granadas, drogas avaliadas em cerca de R$ 40 mil e três veículos que haviam sido roubados.

No período da tarde, equipes do Batalhão de Ações com Cães encontraram aproximadamente um quilo de cocaína e 200 frascos de lança-perfume escondidos em uma construção abandonada, com o auxílio dos cães farejadores Hulk, Ira e Nila.

A Polícia Civil informou que ainda não é possível afirmar se os seis homens morreram durante confronto armado ou se existe relação direta entre as mortes e a operação realizada pela Polícia Militar.

Cinco vítimas já foram identificadas: Lukas Taylan de Mendonça Monteiro, Jonathan Andrade Ferreira, Vinicius Neves Dantas, Felipe Barbosa da Silva e Alanderson de Almeida Guimarães. O sexto homem, segundo relatos de moradores, era conhecido apenas pelo apelido de Mega.

Um familiar de uma das vítimas afirmou que os próprios moradores retiraram os corpos de uma área de mata e os levaram até a unidade de saúde. “Fomos nós que retiramos os seis da área de mata e levamos para a UPA. Disseram que haviam mais três corpos lá, mas só encontramos essses. Eles (poiiciais) sabiam que os corpos estavam lá. O telefone do Vinicíus que estava com ele sumiu”, declarou.

Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, onde passarão por exames de necropsia. A Polícia Civil informou que outras diligências seguem em andamento para esclarecer a dinâmica dos fatos.

De acordo com as investigações, o tráfico de drogas no Jardim Novo é comandado por Lucas Apostólico da Conceição, conhecido como Índio, considerado foragido da Justiça. Conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ele possui sete mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil sustenta que, embora Índio integre a facção Amigos dos Amigos, ele teria firmado um acordo com o Comando Vermelho para permitir a utilização da comunidade como corredor para expansão da organização em direção a áreas das zonas Oeste e Sudoeste da capital. A suposta aliança foi identificada durante investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes por meio da interceptação de mensagens atribuídas a integrantes das organizações criminosas.

Em troca, segundo os investigadores, o traficante teria recebido a promessa de não sofrer ataques do Comando Vermelho, passando a contar com o apoio da facção para manter o controle da região.

Em abril de 2026, uma operação da 44ª DP (Inhaúma) cumpriu mandados de prisão contra integrantes do grupo criminoso no Jardim Novo. Na ocasião, seis pessoas foram presas, mas Lucas Apostólico conseguiu escapar.

As investigações também apontam o grupo comandado por Índio como responsável por um caso de tortura ocorrido em janeiro deste ano, que terminou com a morte de Naysa Kayllany da Costa Borges Nogueira. Segundo a acusação, ela e outra mulher foram espancadas após suspeitas de envolvimento no desaparecimento de dinheiro pertencente ao tráfico. Naysa chegou a procurar atendimento médico, mas morreu em decorrência dos ferimentos.

Em nota, a Polícia Militar informou que a operação foi encerrada no fim da tarde de quinta-feira e afirmou que não foi acionada para atender a ocorrência envolvendo os corpos encontrados posteriormente pelos moradores. Segundo a corporação, a informação sobre as mortes só chegou ao comando do 14º BPM após as vítimas já terem sido levadas para a unidade de saúde. A PM também reiterou que, durante a ação, apreendeu armamentos, drogas, veículos roubados e desativou uma fábrica clandestina de munições.

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