Um incêndio florestal de grandes proporções provocou a morte de 11 pessoas e deixou outras 19 desaparecidas na província de Almería, no sul da Espanha. Cerca de 150 bombeiros seguem mobilizados nesta sexta-feira (10) para conter o avanço das chamas, que já figuram entre os episódios mais letais registrados no país nas últimas décadas.
De acordo com Antonio Sanz, representante do governo regional da Andaluzia, o fogo avançou rapidamente por áreas de vegetação próximas ao município de Los Gallardos, atingindo principalmente a localidade de Bédar. Em vídeo divulgado na rede social X, ele informou que a orientação oficial era para que os moradores permanecessem em casa. Segundo Sanz, as mortes ocorreram, aparentemente, porque algumas pessoas decidiram deixar a região por conta própria em veículos particulares.
Segundo Antonio Sanz, quatro das vítimas morreram dentro de um automóvel que, pelas características do veículo, poderia pertencer a cidadãos britânicos, já que o volante estava instalado no lado direito. Outras sete pessoas foram encontradas sem vida após abandonarem seus carros e tentarem fugir a pé por um caminho que não fazia parte do plano de evacuação estabelecido pelas autoridades.
Além das mortes confirmadas, quatro pessoas permaneciam hospitalizadas com queimaduras graves. O representante do governo reforçou o pedido para que a população siga as orientações das equipes de emergência e evite deslocamentos em áreas de risco, enquanto as buscas continuam por desaparecidos.
O presidente da Junta da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, informou à rádio Cadena Ser que, até o momento, 19 pessoas seguem desaparecidas em consequência do incêndio.
Com 11 vítimas fatais, o episódio tornou-se o incêndio florestal mais mortal da Espanha desde 2005, quando um incêndio na província de Guadalajara causou a morte de 11 bombeiros. Na ocasião, o fogo começou após o uso de uma churrasqueira e destruiu milhares de hectares de floresta.
A tragédia de 2005 levou o país a revisar protocolos de prevenção e de resposta aos incêndios florestais, com mudanças nas estratégias de combate e de proteção às populações em áreas de risco.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, manifestou pesar pelas vítimas e classificou o cenário como motivo de “enorme tristeza e devastação”. O líder espanhol também prestou solidariedade aos familiares dos mortos e desejou pronta recuperação aos feridos.
Em publicação na rede social X, Sánchez informou que equipes dos serviços de emergência, forças de segurança e a Unidade Militar de Emergências foram mobilizadas para atuar no combate ao incêndio. Ele também pediu que a população mantenha a cautela e siga todas as recomendações das autoridades.
O incêndio ocorre poucos dias depois de outro grande foco registrado no sul da França, que saiu do controle e levou à evacuação de mais de 10 mil pessoas em cerca de 20 cidades e vilarejos próximos à fronteira com a Espanha.
Especialistas apontam que as ondas de calor registradas entre maio e junho ressecaram amplas áreas do oeste europeu, criando condições favoráveis para a propagação de incêndios florestais durante o verão.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a Europa está aquecendo em um ritmo superior ao dobro da média global, cenário que aumenta a frequência e a intensidade de períodos prolongados de calor extremo e, consequentemente, o risco de incêndios de grandes proporções.
