Virginia Fonseca incentivou seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, diz MPDFT

Douglas Lima
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Virginia Fonseca - Foto: Reprodução\Instagram

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) menciona, em uma ação civil pública contra Virginia Fonseca e a Blaze, um vídeo em que a influenciadoradigital teria estimulado seus 56,7 milhões seguidores no Instagram a apostarem na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina pela Copa do Mundo de 2026. A partida terminou com triunfo argentino por 3 a 2.

Nas imagens, ela afirma estar “esperançosa” de que o goleiro Vozinha, de Cabo Verde, “pegaria todas” as bolas da partida. Na sequência, ela mostra que estava apostando na vitória da equipe africana sobre a Argentina.

Segundo o MPDFT, a influenciadora digital e a casa de aposta “atuam em um conluio predatório, onde a divisão de tarefas materializa uma estratégia conjunta de captação de consumidores por meios ilícitos”.

De acordo com informações da coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, o Ministério Público (MP) considera que a digital influencer seria o “braço operacional” da empresa com a qual possui contrato, e que o vídeo publicado por ela teria sido uma ação de publicidade em favor da plataforma.

“Em 3 de julho de 2026, durante a Copa do Mundo, a influenciadora Virginia Ellen Fonseca Serrão, então com 56,7 milhões de seguidores no Instagram, divulgou em seu perfil, por meio da ferramenta Stories, sem advertir claramente que era conteúdo publicitário, conteúdo no qual aparentava realizar aposta própria na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina. Claro, pode ter apostado, mas nem de longe retira a lesividade da conduta, o que será enfrentado”, consta na peça.

“Como esperado pelo senso médio, a Seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação”, pontua o órgão.

O pedido apresentado na ação prevê que Virginia e a Blaze paguem uma indenização mínima de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.

Na petição, o promotor responsável pelo caso afirmou que “ao recomendar produtos e serviços, os influenciadores induzem o público a adotar comportamentos alinhados ao estilo de vida que promovem”.

“Essa credibilidade transforma as recomendações em verdadeiros selos de aprovação, gerando uma expectativa legítima nos consumidores. O endosso da influenciadora ultrapassa a mera opinião, conferindo uma garantia implícita de qualidade, fundamentada na confiança construída com a audiência”, acrescentou.

O MP ainda solicitou à Justiça do Distrito Federal uma decisão liminar para que Fonseca retire imediatamente das redes socia, “todo conteúdo publicitário relacionado a apostas que prometa lucros irreais; induza o consumidor a erro; estimule apostas em time, evento ou condição esportiva específica; ou utilize dark patterns e publicidade disfarçada em conteúdos de natureza pessoal”.

“A condenação solidária das requeridas ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, em valor não inferior a R$ 120 milhões, quantia estimada à luz da dimensão econômica da atividade explorada, da repercussão social da conduta e do potencial lesivo da publicidade irregular, a ser revertida, preferencialmente, em favor de programas sociais, educativos e de saúde mental voltados a consumidores e apostadores, ou ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD)”, pediu o promotor. A ação trâmita na 7ª Vara Cível de Brasília. Ainda não há decisão.

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