A investigação conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) sobre a morte da influenciadora rural Alzira Maria Theodoro Luiz, de 43 anos, tem como principal hipótese uma motivação passional, conforme informou a advogada da família, Carina Goiatá. Segundo ela, esse cenário reforça a suspeita de feminicídio. A representante também cobrou um posicionamento público da polícia sobre o andamento do inquérito e voltou a defender medidas de proteção para os quatro filhos da vítima, que, de acordo com ela, estariam em “risco iminente”.
Alzira, conhecida nas redes sociais como “Alzira do Agro”, foi assassinada a tiros na manhã de 7 de junho, em sua propriedade rural localizada no município de Mutum, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Poucos dias antes do crime, a influenciadora relatou aos seguidores que ouviu batidas na janela de casa durante a madrugada. Após o episódio, decidiu instalar câmeras de segurança e reforçar os cuidados com a propriedade.
Carina Goiatá afirmou que a família considera a motivação passional a principal linha investigativa porque Alzira não possuía conflitos conhecidos. Segundo a advogada, o único episódio que gerou problemas envolveu um relacionamento com um homem casado.
“Na avaliação da família, essa é a principal linha porque ela não tinha desavença com ninguém. O único problema foi um relacionamento com um homem casado. No início, ela não sabia que ele era casado, mas, quando a esposa descobriu, começaram as discussões e algumas ameaças. Isso nos preocupa”, afirmou ao Metrópoles nesta quinta-feira (2/7).
Durante as investigações, um homem chegou a ser preso, mas foi liberado no mesmo dia. Conforme a advogada, ele segue sendo investigado pela Polícia Civil. A preocupação da família também está voltada para a segurança dos quatro filhos da influenciadora, uma jovem de 18 anos e outros três filhos com idades na faixa dos 20 anos.
“Eles correm risco, mas não posso explicar qual é esse risco por questão de proteção. A família acompanha as investigações pelos advogados, mas existe sigilo absoluto. Pelo que pude perceber, as investigações estão avançando e acredito que até o dia 7 haverá uma manifestação da polícia, talvez até uma coletiva de imprensa”, disse.
O prazo inicial para conclusão do inquérito termina em 7 de julho. Até essa data, o delegado responsável poderá apresentar a conclusão das investigações ou solicitar a prorrogação das diligências por mais 30 dias.
Na avaliação da advogada, a extensão do prazo é a possibilidade mais provável, já que ainda existem etapas pendentes, como a extração de dados de dispositivos e a realização de outras perícias técnicas.
“Como ainda não há presos apontados como responsáveis pela morte da Alzira, não acredito que as investigações serão concluídas no dia 7. Pode haver prorrogação porque ainda há muita coisa sendo feita. Mas a polícia precisa falar com a imprensa. É um caso de repercussão nacional e de interesse público.”
Carina Goiatá também defende que, caso o inquérito seja prorrogado, os familiares recebam proteção policial enquanto as investigações prosseguem.
“Se a investigação continuar por mais 30 dias, acredito que a polícia precisa garantir a segurança da família. Essas pessoas continuam soltas, são perigosas, e a família está vivendo com medo. Além do luto pela mãe, esses jovens precisam voltar a trabalhar, sair de casa e dormir em paz. Se quem representa o perigo não está preso, esse perigo continua nas ruas e também ameaça a família”, afirmou.
