Venda de ivermectina cresce após Mel Gibson citar cura do câncer

Douglas Lima
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Caixa de ivermectina - Foto: Divulgação

Celebridades também podem influenciar a disseminação de desinformação sobre saúde. Um estudo publicado na última terça-feira (12) na revista JAMA Network Open apontou um aumento significativo nas prescrições de ivermectina nos Estados Unidos após declarações do ator Mel Gibson.

Em janeiro do ano passado, durante participação no podcast do comediante Joe Rogan, Gibson afirmou que três amigos teriam se recuperado de cânceres em estágio avançado após utilizarem o medicamento.

O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e analisou dados de 68.373.949 pacientes com idades entre 18 e 90 anos atendidos em 67 sistemas de saúde nos Estados Unidos.

Os pesquisadores compararam as prescrições da combinação ivermectina-benzimidazol entre janeiro e julho de 2025 com o mesmo período do ano anterior.

Os resultados indicaram que, de forma geral, as prescrições desses medicamentos dobraram após a repercussão das declarações. Entre pacientes com câncer, o aumento foi ainda mais expressivo, superando em mais de 2,5 vezes os índices registrados anteriormente.

Apesar do aumento nas prescrições, os autores destacam que não existem evidências clínicas que comprovem a segurança ou a eficácia da ivermectina e de medicamentos benzimidazólicos no tratamento do câncer em humanos. O estudo ressalta, porém, que essas substâncias já demonstraram atividade anticancerígena em pesquisas laboratoriais e em testes realizados com animais.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprova o uso da ivermectina apenas para o tratamento de infecções parasitárias. Já o fenbendazol é destinado exclusivamente ao uso veterinário.

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