Tornado no Rio Grande do Sul reforça alerta sobre frequência de fenômenos extremos no estado

Patricia Calderon
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Tornado no Rio Grande do Sul reforça alerta sobre frequência de fenômenos extremos no estado (Foto Reprodução)

A formação de um tornado em Pedro Osório, no interior do Rio Grande do Sul, na quinta-feira (6/8), marcou a segunda semana consecutiva com registro desse tipo de fenômeno no estado. O episódio ocorreu durante a atuação de um ciclone-bomba no Atlântico Sul e voltou a destacar a posição do território gaúcho em uma das áreas mais propensas da América do Sul para tempestades severas. O Rio Grande do Sul integra o chamado “corredor dos tornados”, região onde as condições atmosféricas favorecem a ocorrência desses eventos.

O ciclone-bomba que influencia o clima na região se intensificou a partir de uma queda acentuada da pressão atmosférica e provocou uma combinação de temporais, ventos fortes e instabilidade em diferentes áreas do estado. As rajadas chegaram a 132 km/h, causando prejuízos como destelhamentos de imóveis e outros danos estruturais. Em Montenegro, um motociclista de 33 anos morreu após ser atingido por uma árvore na RS-124.

A recorrência de eventos extremos no estado está diretamente relacionada à localização geográfica do Rio Grande do Sul. A área faz parte do chamado “corredor dos tornados”, uma faixa da América do Sul que envolve principalmente Argentina, Paraguai, Uruguai e parte do Brasil, onde há maior interação entre diferentes massas de ar.

“O ‘corredor de tornado’ fica na America do Sul, entre Uruguai, Paraguai e Argentina e parte do Brasil como um todo. Essas áreas têm latitudes médias mais altas e muita instabilidade no tempo, o que faz o encontro de massas de ar ser mais expressivo. O choque da massa de ar frio com ar quente favorece a instabilidade atmosférica e forma fenômenos nesta região”, explica Olívio Bahia, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O encontro entre massas de ar com temperaturas diferentes provoca forte movimentação vertical da atmosfera. O ar quente e úmido sobe rapidamente, criando áreas de baixa pressão que podem contribuir para a formação de ciclones extratropicais de maior intensidade.

Esse processo também recebe influência dos chamados jatos de baixa altitude, correntes de vento que transportam calor e umidade da região amazônica para o Sul do país. Ao encontrar a massa de ar frio vinda do sul do continente, esse contraste favorece a formação de tempestades mais organizadas.

Depois de se desenvolver próximo à fronteira com a Argentina, o ciclone pode ganhar rotação e avançar em direção ao Oceano Atlântico, passando pela região da Foz do Rio da Prata ou pela costa gaúcha. Durante esse deslocamento, o sistema contribui para ventos intensos e queda de temperatura no estado.

Segundo a meteorologista Estael Sias, da MetSul, a posição do Rio Grande do Sul explica a maior frequência desses fenômenos, já que a região funciona como área de origem para muitos sistemas meteorológicos.

“O motivo é justamente porque aqui nascem os fenômenos. O Rio Grande do Sul é o primeiro a ser atingido porque é nessa área de latitudes médias, entre o estado, o Uruguai e a Argentina, que se formam os ciclones. O corredor dos tornados tem uma frequência muito maior de nascimento desses sistemas. Basta ver a história da Argentina com granizo gigante, além do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que têm uma frequência de temporais muito maior do que os outros estados”, pontua.

A especialista também destaca que pesquisas apontam o território gaúcho como uma das regiões do planeta com maior dificuldade de previsão meteorológica, devido à grande variação dos sistemas atmosféricos que atuam no local.

De acordo com a Climatempo, o tornado se forma a partir de uma supercélula, um tipo específico de tempestade caracterizado pela presença de uma corrente de ar ascendente em rotação.

“Supercélulas comumente causam granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas, e em algumas ocasiões tornados”, explicou a Defesa Civil do RS. No total, oito cidades reportaram danos nessa quinta-feira.

O fenômeno registrado em Pedro Osório não foi o primeiro tornado confirmado no Rio Grande do Sul em pouco tempo. Em 28 de julho, outro evento ocorreu na região noroeste do estado, atingindo os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho.

Na ocasião, a Defesa Civil Regional confirmou quatro pessoas feridas em decorrência dos impactos provocados pelo tornado.

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