A Polícia Federal encontrou, no celular da empresária Roberta Luchsinger, uma conversa pelo WhatsApp na qual aparece o envio de uma minuta de contrato para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O material foi encaminhado ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola. Segundo a investigação, Roberta, que mantém amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, buscava viabilizar o negócio com a pasta, mas o acordo não chegou a ser concretizado.
A mensagem foi localizada durante a análise de dados extraídos do telefone de Roberta, que está entre os alvos de investigação da Operação Sem Desconto. No começo de agosto, a PF também identificou uma transferência financeira feita pela empresária para Marcola. Na ocasião, ele afirmou que os R$ 249 mil correspondiam a um empréstimo pessoal que já havia sido pago.
Marcola confirmou a interlocutores que recebeu a minuta do contrato. A PF apura agora o contexto do envio do documento e sua eventual relação com as negociações que Roberta tentava estabelecer com o Ministério da Saúde.
Lulinha é investigado em três inquéritos por suspeitas relacionadas aos crimes de tráfico de influência e corrupção. Uma das apurações busca esclarecer se ele teria utilizado sua influência para beneficiar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em tratativas envolvendo o Ministério da Saúde.
Antunes é apontado nas investigações como um dos nomes centrais de um esquema de descontos considerados indevidos em aposentadorias e pensões.
A apuração da PF também analisa as relações financeiras e pessoais entre os envolvidos para verificar se houve alguma atuação irregular em contratos ou negociações com órgãos públicos.
