Lucimar das Neves Ferreira, um dos sobreviventes do acidente com o Césio-137, foi encontrado morto no sábado (25), em Aparecida de Goiânia (GO). A informação foi confirmada por familiares, mas a causa da morte não havia sido divulgada até a publicação desta reportagem. Após a confirmação do falecimento, o interesse pelo caso aumentou significativamente, e o termo “césio” registrou crescimento superior a 1.000% nas pesquisas feitas no Google, conforme dados do Google Trends.
O velório e o sepultamento ocorreram na manhã de domingo (26), em Abadia de Goiás. Lucimar era o irmão mais velho de Leide das Neves Ferreira, considerada a primeira vítima fatal do acidente radiológico de 1987. Ela morreu aos seis anos de idade após ser contaminada pela substância radioativa.
De acordo com a mãe, Lourdes das Neves, Lucimar tinha 14 anos quando foi contaminado pelo Césio-137. Apesar de ter sobrevivido, passou a conviver com sequelas físicas e emocionais provocadas pela exposição à radiação ao longo de toda a vida.
Em entrevista concedida ao jornal Opção em março deste ano, Lucimar afirmou que nunca conseguiu retomar uma rotina completamente normal após a tragédia. “Do nada, vem uma tristeza. Parece um distúrbio”, declarou na ocasião.
Depois da contaminação, ele enfrentou longos períodos de internação e isolamento, assim como outras pessoas atingidas pelo acidente radiológico. A morte do sobrevivente também comoveu integrantes da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio).
O presidente da entidade, Marcelo Santos Neves, afirmou que o falecimento reacendeu lembranças dolorosas entre as famílias afetadas pela tragédia. “A gente relembra todas as mazelas que esse acidente trouxe. Agora, a gente tem que dar o máximo de apoio possível porque vai ser muito dolorido, por mais que ela [a mãe de Lucimar, Lourdes das Neves] já esteja calejada com essas dores de perda da filha, agora o filho”, declarou ao G1.
Marcelo também relembrou a convivência com Lucimar durante o período mais crítico após o acidente. Segundo ele, o adolescente não tinha onde permanecer durante o dia por causa da situação enfrentada pela família. “Eu lembro que, na época, ele não tinha onde ficar durante o dia porque estava um tumulto danado. Eu pegava ele e levava para minha casa. Eu tinha os meninos também da idade dele e punha eles para jogar videogame”, relembrou.
