Sargento preso por morte de capitã da PM já tinha registros de violência doméstica

Patricia Calderon
3 min de leitura
Sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira e a capitã PM Michele Leão Azevedo

O 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso sob suspeita de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, já havia sido apontado como autor de violência doméstica em ocorrências envolvendo outras duas mulheres. A informação foi divulgada pelo porta voz da PMMG, capitão Veríssimo, após o velório da oficial, realizado na Capela da Funerária Dom Bosco, no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte.

Durante a declaração, o porta voz explicou que o histórico do militar inclui três boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica. Segundo ele, um dos registros foi feito em 2014, antes de Eduardo ingressar na Polícia Militar. Outro ocorreu em 2016, já quando ele integrava a corporação, envolvendo uma mulher diferente. Conforme a PMMG, todas as medidas administrativas cabíveis foram adotadas e as informações encaminhadas aos órgãos responsáveis.

“O importante é deixar isso bem transparente para a população. O sargento preso em flagrante tinha três boletins de ocorrência nos quais figurou como autor de violência doméstica. Um em 2014, quando ainda não era policial militar, e outro em 2016, já após reingressar na instituição, envolvendo outra mulher. A Polícia Militar adotou todas as providências cabíveis e encaminhou as informações aos órgãos competentes”, afirmou.

Em resposta a questionamentos sobre os registros, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que os inquéritos foram concluídos e enviados ao Poder Judiciário. Já o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) declarou que não encontrou processos públicos em nome do policial.

Segundo o tribunal, ações criminais mais antigas podem não constar no Processo Judicial Eletrônico (PJe), implantado a partir de 2015. O TJMG também ressaltou que processos relacionados à violência doméstica costumam tramitar sob segredo de Justiça e que não está descartada a possibilidade de eventual ação ter sido analisada pela Justiça Militar.

O capitão Veríssimo também informou que Eduardo chegou a ser desligado da Polícia Militar durante o processo de ingresso na corporação por não informar, na documentação apresentada, que havia sido apreendido quando era adolescente por porte ilegal de arma de fogo.

“Ele foi submetido a um processo administrativo e exonerado porque omitiu que havia sido apreendido quando menor por porte ilegal de arma de fogo. Essa informação deveria constar na documentação apresentada à instituição. Depois, por decisão judicial, ele retornou à PM em 2015“, explicou.

Apesar da exoneração administrativa, o militar conseguiu retornar aos quadros da Polícia Militar de Minas Gerais após obter decisão favorável na Justiça.

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