Polícia procura namorado de estudante encontrada morta em prédio de Fortaleza

Patricia Calderon
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Polícia procura namorado de estudante encontrada morta em prédio de Fortaleza (Foto Reprodução)

A Polícia Civil do Ceará procura João Munhoz Neto, namorado da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta há uma semana em um prédio de Fortaleza. Imagens divulgadas neste domingo (20) mostram Isabelle viva durante os momentos que antecederam sua morte.

Isabelle e João moravam juntos no edifício. No mesmo dia, a polícia localizou Sara Regina Alexandre Munhoz, mãe de João, em uma praia de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O celular dela foi apreendido durante a ação policial.

A Polícia Forense voltou ao prédio localizado em uma área nobre de Fortaleza onde o corpo da estudante foi encontrado em uma área externa. Equipes utilizaram drones para auxiliar nas buscas e na apuração das circunstâncias da morte.

Manifestantes também estiveram em frente ao edifício para cobrar esclarecimentos sobre o caso, que ainda está sob investigação.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Ceará informou que os exames realizados mostraram lesões no corpo compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais deram resultado negativo para substâncias toxicológicas.

A estudante havia se mudado para o imóvel algumas semanas antes e vivia no local com João, um irmão dele e a mãe do namorado. Sara Regina ocupa o cargo de coordenadora de execução da saúde prisional na Secretaria de Administração Penitenciária.

Isabelle conheceu João em julho, quando os dois estavam em um escritório de advocacia. Ele trabalhava no local, enquanto ela atuava como estagiária.

Segundo a mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, a filha já havia comentado sobre comportamentos que considerava excessivamente ciumentos e possessivos por parte do namorado.

“Ela começou a me relatar que bastava ela descer para lanchar com as amigas do trabalho e, quando via, ele já estava lá junto. Quando ela descia, às vezes, para comprar um remédio na farmácia quando sentia cólica, ele já estava lá. Reclamava que ele era muito ciumento, que para onde ela ia, ele tava também”, disse Isorlanda.

No domingo (13), Isabelle passou o dia na casa da mãe. Mais tarde, enviou uma mensagem para Isorlanda dizendo que estava com torcicolo e pretendia descansar.

“Ela disse assim pra mim: ‘Olha, eu vou descansar um pouco, porque tá doendo ainda’. Eu disse: ‘pois não esqueça de tomar o relaxante muscular’. Ela disse ‘te amo, mãe’, e disse ‘te amo minha filha'”.

A última mensagem enviada por Isabelle foi registrada às 19h22. Imagens do circuito de segurança do edifício, obtidas pelo Jornal Diário do Nordeste, mostram a estudante chegando ao local às 17h58.

João aparece nas imagens indo até a portaria para encontrar a namorada. Os dois entram no elevador juntos. Às 18h33, ele deixou o prédio usando outra roupa. Antes de sair, uma gravação no elevador mostra o momento em que ele aparenta trocar o anel que usava na mão direita.

Pouco depois, às 19h12, Isabelle entrou no elevador para subir até a cobertura, localizada no 23º andar. O apartamento onde morava com o namorado ficava no 15º andar.

Segundo a polícia, Isabelle morreu às 20h40, quase uma hora e meia depois. As imagens também mostram João voltando ao prédio às 22h48. O carro da perícia forense já estava na garagem.

A polícia continua analisando outros registros do sistema de segurança do prédio. Até o momento, quatro pessoas prestaram depoimento, e outras quatro devem ser ouvidas nos próximos dias.

A previsão é que o laudo do exame realizado no corpo da estudante seja concluído até o início de outubro.

Isorlanda descobriu que a filha havia morrido somente no dia seguinte, quando foi até o prédio após não conseguir falar com João.

“Liguei pra ele várias vezes. Nada [de resposta]. Aí eu disse ‘como é que é isso?’, até que eu me toquei que a imagem dele não tava mais no WhatsApp e que eu tinha sido bloqueada”.”Certo, ninguém está. E alguém da família podia ter tido a dignidade de entrar em contato comigo, e ninguém entrou. Eu quero respostas. Por que não me avisaram? Por que fugiram? Por que até hoje ninguém entrou em contato comigo? Eu quero essas respostas e quero justiça pra minha filha”.

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