Polícia Civil investiga morte de estudante de 11 anos após relatos de bullying em escola militar

Patricia Calderon
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Polícia Civil investiga morte de estudante de 11 anos após relatos de bullying em escola militar (Foto Reprodução Redes Sociais)

A Polícia Civil do Ceará instaurou um inquérito para esclarecer a morte de uma estudante de 11 anos, após os familiares relatarem que ela estaria sofrendo bullying no Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Escritora Rachel de Queiroz (CMCB), em Fortaleza. O caso está sendo investigado pela 5ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú, município onde a criança foi encontrada morta em um imóvel particular na última quinta-feira (23). O Ministério Público do Ceará (MPCE) também acompanha a apuração.

Os pais contaram ao Diário do Nordeste que procuraram as autoridades após a morte da filha e registraram um boletim de ocorrência. Segundo a família, a menina, que estudava no 6º ano do ensino fundamental, teria sido alvo de agressões cometidas por outros estudantes do colégio militar, localizado no bairro Jacarecanga, em Fortaleza.

Família diz ter pedido transferência da estudante

De acordo com os familiares, a situação levou os pais a solicitarem a mudança da menina para outra escola. O pedido, porém, não teria sido atendido pela instituição.

O colégio informou que a solicitação foi avaliada pela assessoria jurídica do Corpo de Bombeiros. Conforme a análise, naquele momento não seria possível realizar a transferência da estudante para outro colégio militar estadual.

A instituição explicou que o regimento interno determina que a mudança entre unidades desse tipo depende de um período mínimo de um ano letivo cumprido na escola de origem. Também é necessário que exista vaga disponível na série e no turno pretendidos.

Ainda segundo a escola, os responsáveis receberam orientação sobre a possibilidade de matricular a menina em uma instituição de ensino civil, seja pública ou privada. No caso da rede pública, o colégio afirmou que poderia encaminhar a família para uma unidade próxima da residência da estudante, seguindo as determinações legais.

A Polícia Civil informou que a investigação continua e que as diligências buscam esclarecer as circunstâncias da morte. “A 5ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú está a cargo dos trabalhos investigativos e realiza diligências com o intuito de elucidar o caso”, informou a corporação.

Família relata episódios de bullying

Os pais afirmaram que começaram a notar marcas no corpo da filha depois que ela entrou na escola, no início deste ano. Segundo a mãe, foram observados hematomas nos pés, nas pernas e nos joelhos, além de um ferimento no braço que teria sido escondido com corretivo escolar.

No começo, conforme o relato dos familiares, a estudante não teria contado aos pais o que estava ocorrendo. Ela teria explicado os ferimentos como resultado de quedas e brincadeiras. Posteriormente, ao conversar com a irmã, a menina teria contado que sofria provocações frequentes de colegas.

Depois de tomar conhecimento dos relatos, a mãe procurou a escola para comunicar os episódios e voltou a solicitar a transferência da filha. A família afirma que havia encontrado uma vaga em outra instituição, mas que mesmo assim a mudança não foi autorizada.

Segundo os pais, a direção teria informado que buscaria uma alternativa para resolver a situação. A família, porém, afirma que a solução não chegou a ser apresentada.

Os familiares também disseram que a estudante ficou contente durante as férias por acreditar que começaria o segundo semestre em outra escola. Quando descobriu que continuaria na mesma instituição, os pais perceberam alterações em seu comportamento.

Colégio afirma que denúncias receberam encaminhamento

Em posicionamento sobre o caso, o Colégio Militar do Corpo de Bombeiros declarou que as situações de bullying comunicadas formalmente à instituição foram encaminhadas seguindo os procedimentos adotados pela escola.

“Conforme os registros institucionais, todas as demandas formalmente apresentadas à escola receberam o devido encaminhamento pelas equipes competentes”, declarou a unidade.

A escola também informou que possui psicólogos responsáveis pelo acolhimento e acompanhamento dos estudantes. Entre as ações desenvolvidas pela instituição estão iniciativas de prevenção ao bullying, incentivo à convivência respeitosa, cuidados relacionados à saúde emocional e orientação sobre o uso consciente das redes sociais.

Com a retomada das atividades do segundo semestre, na segunda-feira (27), a unidade preparou uma programação voltada ao acolhimento de alunos, familiares e funcionários. As atividades abordaram temas como saúde mental, prevenção ao bullying e desenvolvimento socioemocional.

“Como parte desse conjunto de ações, equipes da instituição também realizaram visitas de acolhimento a familiares de estudantes, oferecendo apoio e acompanhamento”, informou a escola.

Ministério Público acompanha o caso

O Ministério Público do Ceará informou que o episódio será acompanhado pelo Centro de Apoio Operacional da Educação (Caoeduc). O órgão encaminhou o caso para uma Promotoria de Justiça da Educação em Fortaleza.

Representantes do Caoeduc e do Centro de Apoio Operacional da Saúde (Caosaúde) também devem atuar em ações de acolhimento, escuta, suporte e acompanhamento dos desdobramentos relacionados ao caso.

“O MP atua de forma permanente na promoção da saúde mental de crianças e adolescentes e na prevenção das diversas formas de violência no contexto escolar, por meio de ações de conscientização, acolhimento e formação voltadas a estudantes, famílias, educadores e gestores públicos”, afirmou o órgão.

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