A mulher de 37 anos presa na última terça-feira (2), em Joinville, após se passar por uma menina de 12 anos, chegou a buscar atendimento no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, em setembro de 2023.
Na época, segundo a direção da unidade de saúde, os médicos encontraram diversas agulhas no corpo dela durante um exame de raio-x, conforme informou o Jornal do Almoço, da RBS TV. Ela vivia em uma casa de acolhimento em Florianópolis, capital de Santa Catarina, e deu entrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão relatando dores abdominais.
Com a suspeita de que a paciente pudesse estar sofrendo maus-tratos, devido à presença de agulhas no corpo, a equipe do hospital acionou o Conselho Tutelar, segundo a diretora Maristela Cardozo Biazon. Na ocasião, ela se apresentou aos profissionais como Caroline da Silva Bastos e afirmou ter 13 anos.
Imagens de raio-X feitas em 2024, em um hospital de Goiás, durante uma nova prisão da suspeita pelo mesmo tipo de golpe, mostraram agulhas espalhadas pelo corpo dela. Na ocasião, o Conselho Tutelar e a Polícia Militar também foram acionados. Não há informações sobre a origem dos objetos nem se eles ainda permanecem no corpo da mulher.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil identificou que Amanda Maria Souza de Oliveira é reincidente nesse tipo de golpe, com registros de ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Ela deverá responder pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
A mulher teria criado uma narrativa para justificar a aparência física incompatível com a idade que afirmava ter. À família que a acolheu por 14 meses, ela dizia ser portadora do transtorno do espectro autista e de outras condições de saúde. Também alegava que seus traços físicos adultos seriam consequência do uso forçado de hormônios na infância, período em que afirmava ter sido vítima de abuso.
Com a repercussão do caso, também começaram a circular nas redes diversas fotos atribuídas à suspeita. Em uma delas, ela aparece com uma mamadeira; em outra, surge segurando uma boneca.
Segundo os agentes, a suspeita adotava comportamentos infantilizados, utilizando mamadeiras, chupetas e objetos de apego para dormir, além de reproduzir atitudes que reforçavam a falsa identidade de criança. As investigações apontam ainda que ela afinava a voz, simulava crises de ansiedade durante a madrugada e demonstrava constante necessidade de proteção e cuidados para convencer as vítimas. Amanda vai passar por exames de sanidade mental.
