Nesta sexta-feira (29), a jornalista Patricia Calderón, do Canal do Paulo Mathias, trouxe com exclusividade as informações sobre a conclusão do relatório do caso Deolane Bezerra. A Polícia Civil de SP (via CPJ de Presidente Venceslau) finalizou a primeira etapa de análise dos materiais apreendidos na fase ostensiva da operação, deflagrada em 21 de maio de 2026, e encaminhou o documento ao Judiciário.
Apreensões: Foram arrecadados documentos, dispositivos eletrônicos, dinheiro em espécie, joias, relógios e veículos de luxo, que geraram novas provas dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Atividade Recente da Organização: A investigação descobriu que o grupo continuava ativo mesmo no momento da operação, abrindo novas empresas e reestruturando as antigas para ocultar patrimônio, além de movimentar valores recentes por meio de criptoativos (ativos virtuais).
Indiciamentos e Pedidos à Justiça: A polícia formalizou sete indiciamentos e solicitou novas medidas cautelares, como o sequestro de veículos, a ampliação de bloqueios de contas e a custódia das joias e relógios.
Compartilhamento com a PF: Diante de indícios de crimes tributários, foi pedido o compartilhamento de informações com a Polícia Federal. As investigações continuam com a análise do restante do material.







Caso Deolane: Relembre
Operação Vérnix (Maio de 2026)
- A Prisão: Deolane foi presa preventivamente no dia 21 de maio de 2026, em São Paulo, em uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público (MP-SP).
- A Acusação: Ela é investigada por suposta lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo o inquérito policial, Deolane teria um papel “central” na estrutura financeira, utilizando dezenas de empresas fantasmas abertas no mesmo endereço para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos da facção. A polícia apontou também que ela e parentes do líder da facção utilizavam os mesmos intermediários financeiros.
- Situação Atual: No dia 22 de maio, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado de São Paulo, onde está alocada em um Pavilhão Especial por possuir registro ativo como advogada. A Justiça de SP e o ministro Flávio Dino, do STF, negaram os pedidos recentes de liberdade (habeas corpus) feitos por sua defesa.
Investigação anterior: Operação Narco Fluxo (Abril de 2026)
- Pouco antes de sua última prisão, Deolane foi alvo de uma megaoperação da Polícia Federal. Relatórios de inteligência indicaram que contas bancárias ligadas a ela funcionavam como “contas de passagem” para ocultar patrimônio de uma organização criminosa que enviava cocaína para o exterior. Ela chegou a ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol e foi detida ao desembarcar de uma viagem a Roma.
Operação Integration (setembro de 2024 e desdobramentos)
- O Caso das Bets: Deolane já havia sido presa em setembro de 2024, em Recife, em um esquema que investigava jogos de azar online e lavagem de dinheiro estimado em milhões de reais (envolvendo a compra de carros e imóveis de luxo com recursos de plataformas de apostas).
- Mudança de Jurisdição: No início de 2026, a Justiça Federal assumiu o caso da Operação Integration, anulando os atos estaduais anteriores e repassando o inquérito oficialmente para a Polícia Federal.
- Processo por Danos Morais: Em decorrência desse caso, o delegado Paulo Gondim (que liderou a operação em Pernambuco) abriu um processo contra Deolane exigindo R$ 81 mil por danos morais, alegando que ela promoveu uma campanha difamatória e acusações levianas de abuso de autoridade contra ele após ser solta.
O que diz a defesa
Deolane Bezerra e seus advogados negam veementemente todas as acusações. Na última audiência de custódia, ela afirmou que “a justiça vai ser feita” e justificou que os valores recebidos e apontados pela polícia eram honorários legítimos decorrentes do exercício de sua profissão como advogada. A defesa segue recorrendo às instâncias superiores em Brasília para tentar reverter as prisões preventivas.
