A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em listas de organizações terroristas pode trazer impactos diretos para cidadãos e instituições brasileiras. A medida, anunciada pelas autoridades norte-americanas, abre espaço para a aplicação de sanções financeiras não apenas contra integrantes das facções, mas também contra pessoas e empresas que mantenham algum tipo de relação considerada relevante com os grupos criminosos. Entre os possíveis afetados estariam empresas ligadas ao mercado financeiro da Faria Lima, principal centro econômico do país, além da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, que já foi alvo de investigações envolvendo supostas conexões com integrantes da facção paulista.
De acordo com um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos ouvido pelo portal Metrópoles, as primeiras medidas atingem propriedades e interesses do PCC e do CV que estejam em território norte-americano ou sob controle de cidadãos dos EUA. Contudo, a classificação das facções como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) amplia o alcance das punições e pode atingir estrangeiros, incluindo brasileiros, que realizem negócios, operações financeiras ou qualquer tipo de atividade considerada vinculada aos grupos. “Pessoas que realizam determinadas transações ou atividades com essas entidades ou esses indivíduos podem se expor ao risco de sanções”, afirmou o representante da diplomacia norte-americana.
As chamadas sanções secundárias serão aplicadas por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA responsável por monitorar e punir relações financeiras com entidades sancionadas. A classificação oficial contra o PCC e o CV começa a valer no próximo dia 5 de junho. Medidas semelhantes já foram adotadas recentemente contra cidadãos do Irã, Iraque, Turquia e Jordânia envolvidos em operações relacionadas ao setor petrolífero iraniano, demonstrando o potencial alcance internacional das punições econômicas norte-americanas.
