Direita ultrapassa esquerda entre eleitores pela 1ª vez desde 2014, aponta Datafolha

Douglas Lima
3 min de leitura
Direita supera esquerda entre eleitores pela 1ª vez desde 2014 -Foto: Divulgação

Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3) indica uma mudança no cenário político de identificação no Brasil. Pela primeira vez desde 2014, a proporção de brasileiros que se dizem alinhados à direita ultrapassa a dos que se identificam com a esquerda.

O levantamento, realizado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indica que 44% dos brasileiros se classificam como de direita ou centro-direita, enquanto 39% se identificam como de esquerda ou centro-esquerda. A diferença de cinco pontos percentuais fica fora da margem de erro de dois pontos apontada pela pesquisa.

A classificação não é feita a partir de uma pergunta direta sobre a identificação política do entrevistado. Segundo o instituto, o resultado é obtido por meio de um conjunto de respostas que posiciona os participantes em escalas de comportamento e pensamento econômico. O levantamento considera uma série de questões sobre valores sociais, políticos, culturais e econômicos, incluindo temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade e religião, além de aspectos econômicos como impostos, leis trabalhistas e o papel do Estado.

Em 2014, durante o governo da então presidenta Dilma Rousseff (PT), a identificação com a direita era de 45%, enquanto a esquerda registrava 35%, uma diferença maior do que a observada atualmente. No período seguinte, em 2017, houve um empate técnico no levantamento, com 40% dos entrevistados se identificando com a direita e 41% com a esquerda.

Já em 2022, durante o governo do então presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), a esquerda aparecia com 49% de identificação, enquanto a direita somava 34%.

No mesmo período, havia um cenário de empate técnico no eixo comportamental, com 39% à direita e 42% à esquerda. Segundo o levantamento, a mudança em relação a 2022 se concentra justamente nesse recorte: agora, a direita reúne 52%, contra 29% da esquerda e 20% do centro.

A pesquisa foi realizada de forma presencial nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios do país. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento também ressalta que as margens são maiores quando se analisam recortes específicos da população. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

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