A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, pelos crimes de fraude à execução, estelionato e lavagem de dinheiro. A investigação envolve imóveis que estavam penhorados para quitar uma dívida com um escritório de advocacia e que, segundo os investigadores, foram utilizados posteriormente para resolver outros débitos sem relação com a ação inicial.
O indiciamento ocorreu em 2 de junho e foi enviado à Justiça, que deverá avaliar se Henrique Vorcaro será denunciado e se tornará réu. Nesta terça-feira (17), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão preventiva de Henrique, detido desde maio durante a Operação Compliance Zero. Ele é investigado por supostamente financiar e solicitar serviços de integrantes de uma estrutura paralela de vigilância e intimidação relacionada a Daniel.
A apuração tem como foco três imóveis localizados em Arraial D’Ajuda, pertencentes a Henrique. Os bens foram avaliados por uma oficial de Justiça, em junho de 2024, em aproximadamente R$ 38 milhões. Os imóveis haviam sido penhorados para garantir o pagamento de uma dívida de R$ 9,6 milhões referente a honorários advocatícios de um processo no qual o pai de Daniel havia sido derrotado. O valor deveria ser destinado ao escritório Ferreira Pinto, Cordeiro, Santos e Maia Advogados Associados.
Apesar da vinculação dos bens ao pagamento dessa obrigação, os imóveis foram incluídos em uma escritura de dação em pagamento, operação utilizada para quitar uma dívida diferente da que originou a penhora. Posteriormente, os imóveis foram transferidos para um fundo pelo valor de R$ 16 milhões, enquanto a dívida de R$ 9,6 milhões com o escritório de advocacia permaneceu sem pagamento.
Para os investigadores, a operação envolveu uma estrutura jurídica e financeira elaborada para esconder patrimônio e impedir a quitação de uma dívida milionária relacionada aos honorários advocatícios.
O que diz a defesa de Henrique Vorcaro
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que o inquérito conduzido pela Polícia Civil de Minas Gerais tem como base uma acusação sem fundamento e que não possui relação com as investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo os advogados, “a controvérsia diz respeito exclusivamente à pretensão de de penhorar um imóvel que já havia sido anteriormente dado em garantia a outros credores, por contrato prévio de alienação fiduciária e posterior dação em pagamento”. A defesa também declarou que a investigação “parte de uma acusação infundada, que nenhuma relação tem com o caso Master”.
