A jornalista Adriana Araújo se manifestou durante a edição do Jornal da Band desta quinta-feira (4) sobre o desfecho do caso Henry Borel. Ao comentar o resultado do julgamento, a comunicadora demonstrou surpresa e indignação com a concessão de perdão judicial a Monique Medeiros Costa e Silva de Almeida, mãe de Henry Borel, morto aos 4 anos.
Após a decisão da juíza Elizabeth Machado Louro, ela deixou, na tarde desta quinta, a Penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona Oeste do Rio de Janeiro. No mesmo dia, o 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado e tortura contra Henry.
Embora o Conselho de Sentença do Júri do Rio tenha reconhecido a responsabilidade de Monique Medeiros por tortura por omissão e desclassificado a acusação de homicídio doloso para homicídio culposo, ela foi beneficiada com o perdão judicial. A pena fixada foi de 1 ano e 4 meses de detenção. O mecanismo jurídico afasta a aplicação da pena, mesmo após a confirmação do crime. Tanto o Ministério Público quanto a defesa de Jairinho informaram que pretendem recorrer da sentença.
Durante o telejornal, Adriana destacou em seu comentário que, segundo sua análise, Henry Borel foi a única vítima do caso. “A única vítima dessa história se chama Henry Borel. Uma vida pela frente interrompida aos 4 anos de idade, porque é assim: a vida de uma criança só tem futuro se ela tem adultos que zelem por ela, que fiquem atentos às ameaças”, destacou.
Na sequência, a apresentadora mencionou relatos e sinais de violência que, segundo ela, já estavam presentes na rotina do menino antes do crime que chocou o país. “No caso de Henry, o agressor morava na casa dele. O menino pediu socorro, do jeito que uma criança de 4 anos sabe pedir socorro. Deu sinais das violências que sofria. A babá viu, a mãe viu, o pai percebeu que ele estava com medo. Ninguém agiu a tempo de salvar Henry”, afirmou.
Ao comentar a justificativa apresentada pela magistrada para o perdão judicial, Adriana Araújo fez uma reflexão sobre a forma como a sociedade atribui responsabilidades a mães e pais, relembrando os comportamentos atribuídos a Monique após a morte do herdeiro.
“Ao perdoar Monique Medeiros, a juiza afirmou que a sociedade espera que as mulheres sejam mães perfeitas e que por isso elas enfrentam cobranças e condenações que os pais não sofrem. Como mãe, eu sei que isso é verdade, mas a pergunta é: foi isso mesmo que levou Monique para o banco dos réus?”, questionou.
“Depois do crime, Monique pressionou a babá a apagar mensagens que mostravam que ela sabia das agressões contra o filho. Jairinho era o principal suspeito do assassinato cruel e ela entrou de mãos dadas com ele pela porta da frente da delegacia”, acrescentou.
“Tirou selfie antes do depoimento. Aceitou ser defendida pelo advogado dele. Combinou uma versão da história com o assassino e só agora no Júri o acusou pelo crime”, disparou.
Ao final, Adriana Araújo expressou indignação com o desfecho do julgamento e levantou questionamentos sobre a conduta da mãe de Henry. “Monique agiu como uma mãe em luto, preocupada em esclarecer o crime ou estava preocupada em apenas salvar a própria pele? O Júri termina e deixa uma imensa sensação de injustiça com Henry”, frisou.
“Para terminar, eu preciso dizer: você pode escolher ser mãe ou não. Você pode escolher ser pai ou não. Mas quando um filho nasce, não pode escolher a omissão porque omissão mata”, finalizou.
Henry Borel morreu em março de 2021, aos quatro anos, após sofrer diversas agressões, segundo a investigação policial e os laudos periciais apresentados no processo.
