O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, será submetido aos mesmos procedimentos aplicados a qualquer cidadão caso seja formalmente acusado pela Polícia Federal. O filho do presidente está no radar das investigações relacionadas às suspeitas envolvendo fraudes em descontos de aposentadorias e também passou a ser alvo de uma apuração autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção.
“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. É o certo. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, ele vai ter ajuda minha”, disse o mandatário em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Durante a conversa, Lula declarou que acredita na inocência do filho e relatou que Lulinha afirma diariamente não ter participação no caso envolvendo o INSS. O presidente também relacionou a postura que espera do filho às experiências vividas pela família durante o período em que esteve preso em decorrência da Operação Lava-Jato.
“Se ele fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Ele viveu dentro da minha casa o que eu passei. Ele sabe o que é um pai, com cinco filhos, ver a televisão chamar a família de ladrão o tempo inteiro. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava Jato. Ele sabe. Então ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso. Ele jura para mim todo dia. Eu acredito nele”, disse.
Lula afirmou ainda que o filho está fora do Brasil, mas deverá retornar ao país caso seja chamado pelas autoridades. Segundo o presidente, Lulinha não deverá se esconder ou contar com qualquer interferência do governo para evitar eventuais consequências judiciais.
“Se for julgado, ele virá para cá. Não vai se esconder, não. Não vou utilizar meu cargo para protegê-lo. Ele vai vir para cá. Ele vai ter que provar que é inocente. É o meu próprio filho. Vai ter que provar. E, se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, disse o mandatário.
O presidente também disse que as suspeitas envolvendo Lulinha não seriam uma situação inédita. Na avaliação de Lula, o filho é alvo de acusações há anos por causa de sua relação familiar com o presidente, mas, segundo ele, denúncias anteriores não teriam sido comprovadas.
“Esse meu filho, desde 2006, vem sendo utilizado no contraponto. Quem quer me atacar começa atacando ele. Eu já ouvi várias histórias (…) É dono disso, é dono daquilo. Era dono de todos os gados da Friboi, dos gados da JBS, tinha carro de ouro.”
A declaração ocorre em meio a novas movimentações envolvendo o filho do presidente. André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar Lulinha por suspeitas de tráfico de influência e corrupção. A apuração busca verificar se ele teria atuado para facilitar contatos com integrantes do Ministério da Saúde em uma negociação relacionada à comercialização de medicamentos à base de cannabis. A defesa de Lulinha afirma não ter sido formalmente informada sobre a investigação e nega irregularidades.
O pedido da Polícia Federal foi encaminhado ao STF em 24 de julho e ficou sob relatoria de Mendonça, que também acompanha o inquérito relacionado às suspeitas de desvios envolvendo benefícios do INSS. A nova apuração, segundo informações divulgadas, ainda não havia sido formalmente instaurada pela PF no momento das declarações.
