A estreia de “As Patroas”, reality idealizado por Viih Tube e pelo marido, Eliezer, provocou uma onda de críticas nas redes sociais e chamou a atenção das autoridades trabalhistas. A produção reúne 11 funcionários do casal em uma disputa por prêmios em dinheiro, com provas realizadas dentro da residência da família. O primeiro episódio foi publicado na última terça-feira (30), mas acabou removido do YouTube poucas horas depois diante da repercussão negativa. O perfil de Viih Tube no Instagram também ficou indisponível.
Durante o anúncio do projeto, a ex-BBB apresentou o formato afirmando: “Esse é o reality, literalmente, da nossa casa.” A declaração acompanhou a divulgação da competição, que previa a participação de empregados como babás, governanta, auxiliar geral e motorista.
A primeira dinâmica colocava os participantes em uma busca por moedas escondidas em diferentes pontos da mansão. Entre os locais escolhidos pelo casal estavam um lago artificial, cômodos da casa, o lixo do banheiro e até mesmo o interior do vaso sanitário.
O desempenho nas provas definiria a classificação geral do reality. De acordo com as regras apresentadas, não haveria eliminações e os competidores somariam pontos ao longo dos episódios para disputar a premiação final.
No desafio de estreia, chamado de “desafio do CLT”, o vencedor receberia R$ 1 mil e dez pontos na classificação. Além disso, também conquistaria um benefício que seria escolhido pelo público.
As opções colocadas em votação incluíam uma sessão de massagem, uma refeição em um restaurante escolhido pelo vencedor ou a possibilidade de iniciar a jornada de trabalho uma hora mais tarde durante toda a semana.
Ao procurar moedas escondidas no banheiro, Anderson, motorista da família, demonstrou surpresa ao perceber que alguns objetos estavam dentro do vaso sanitário.
“Misericórdia, né? Dentro do vaso? Pelo amor de Deus, não é possível.” Depois de retirar as moedas, ele ainda precisou vasculhar a lixeira instalada ao lado do sanitário. “Eu peguei de dentro do lixo. Cheio de papel, cheio de bosta”, comentou Anderson.
Outra prova exibida no episódio mostrou uma funcionária entrando no lago artificial da residência para recuperar uma das moedas espalhadas pela produção.
O regulamento previa a distribuição de R$ 60 mil em prêmios. O campeão levaria R$ 20 mil, além do valor acumulado nas provas. O segundo colocado ficaria apenas com a quantia conquistada durante os desafios, enquanto o terceiro receberia uma motocicleta.
O episódio seguinte apresentaria uma dinâmica intitulada “Lavando Roupa Suja”. Entretanto, após a repercussão do programa, Viih Tube divulgou um vídeo para explicar qual seria a proposta da atração.
Segundo o casal, o objetivo do reality era incentivar uma reflexão sobre as condições de trabalho no Brasil e discutir temas como a precarização das relações trabalhistas e o modelo de escala 6×1.
“A gente espera que nós tenhamos conseguido chamar sua atenção para a situação esdrúxula que nós vivemos no Brasil”, disse a influencer referindo-se à precarização do trabalho.
A repercussão também chegou ao Ministério Público do Trabalho em São Paulo. Na quinta-feira (2), o órgão informou que abriu um procedimento para analisar o caso.
Em nota encaminhada ao g1, o MPT declarou que “tomou conhecimento da atividade anunciada pela influenciadora por meio da imprensa e abriu procedimento para apurar os fatos”.
O episódio ainda motivou uma manifestação do Tribunal Superior do Trabalho. Sem citar nominalmente Viih Tube ou Eliezer, o tribunal publicou uma mensagem lembrando que situações humilhantes impostas a trabalhadores podem configurar assédio moral.
“A Constituição Federal protege a dignidade da pessoa humana, e a Justiça do Trabalho reconhece a responsabilização por condutas abusivas. Humilhação não é entretenimento. No ambiente de trabalho, inclusive no doméstico, respeito é dever”, afirmou o TST.
