A Polícia Civil de São Paulo expandiu o escopo das investigações da Operação Vérnix e agora apura o suposto envolvimento de Daniele Bezerra Santos, Dayanne Bezerra Santos e Solange Alves Bezerra — respectivamente irmãs e mãe da influenciadora e advogada Deolane Bezerra — em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado. As informações são da jornalista Patricia Calderón, que exibiu o relatório em primeira mão no Canal do Paulo Mathias, no Youtube. Deolane foi presa em 21 de maio sob a suspeita de atuar como operadora financeira da lavagem de recursos da família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ministério Público aponta uma proximidade estreita entre a advogada e os familiares do chefe da facção, acusação que é veementemente negada por ambas as partes.
Um novo relatório policial revela que a mãe e as irmãs de Deolane figuram como sócias em empresas ligadas à influenciadora, as quais os investigadores suspeitam tratar-se de estruturas de fachada utilizadas para escoar e ocultar valores de origem ilícita. Um dos principais alvos da análise é a empresa DSDD Cobranças e Informações Cadastrais LTDA., que traz Daniele como administradora e tem Dayanne e Solange em seu quadro societário. O nome da empresa emergiu em comunicações eletrônicas interceptadas entre as investigadas e o contador Eduardo Affonso Rodrigues, que também foi indiciado na operação por suspeita de integrar a rede financeira criminosa.
Conexões financeiras com a cúpula da facção
As interceptações telefônicas e de mensagens revelaram conexões diretas do contador Eduardo Affonso com Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado pela polícia como o principal operador financeiro do esquema. Além disso, as autoridades identificaram que o mesmo contador foi responsável por abrir a empresa FA Silva Consultoria em Gestão Empresarial LTDA para Francisca Alves da Silva, a “Preta”, que é esposa de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha (irmão de Marcola). A sede dessa empresa, localizada em um imóvel aparentemente residencial na cidade de Pacaembu, chamou a atenção da polícia por estar a mais de 600 quilômetros de distância do endereço real de Francisca na capital paulista.
Indiciados e os mecanismos de lavagem de dinheiro
Para os investigadores, Preta atua como uma das principais pontes entre Deolane e a liderança da facção criminosa, sendo peça-chave na movimentação financeira do grupo. Embora o inquérito policial ainda não tenha individualizado a conduta exata de cada familiar de Deolane nem estipulado o montante total de dinheiro lavado pelas firmas suspeitas, os indiciamentos já se estendem a figuras centrais como Marcola, Marcolinha, Everton, o contador Eduardo e os sobrinhos de Marcola, Leonardo e Paloma. A principal linha investigativa contra Deolane foca na suspeita de que ela utilizava uma transportadora de fachada, denominada Lado a Lado e situada em Presidente Prudente, para branquear o capital da facção.
Manifestações da defesa da família Bezerra
Por outro lado, as defesas dos envolvidos rebatem as suspeitas levantadas pela Polícia Civil e buscam desvincular seus clientes de práticas criminosas. O advogado Aury Lopes, que representa a mãe e as irmãs de Deolane, classificou as acusações iniciais como generalistas, afirmando que a existência de sociedades em comum é legítima e que todas as atividades empresariais, bem como a origem lícita dos recursos, serão devidamente comprovadas e esclarecidas no decorrer do processo legal. Nas redes sociais, Dayanne Bezerra também tem manifestado publicamente sua indignação, criticando ostensivamente a condução da investigação e defendendo a inocência de sua irmã presa.
Posicionamento jurídico dos demais envolvidos
Em paralelo, a defesa de Marcola, Alejandro, Francisca, Leonardo e Paloma, conduzida pelo advogado Bruno Ferullo, informou que acompanha os desdobramentos da Operação Vérnix e que adotará as medidas cabíveis, ressaltando que o indiciamento é um ato puramente investigativo e não deve ferir o princípio constitucional da presunção de inocência. Já os defensores do contador Eduardo Affonso Rodrigues sustentaram que o profissional jamais conheceu pessoalmente ou manteve contato direto com Deolane, Everton ou Francisca. A defesa alega que o contador limitou-se ao estrito exercício de suas funções técnicas e legais ao registrar formalmente as empresas perante a Receita Federal e a Junta Comercial.




