A força eleitoral atrelada ao sobrenome Bolsonaro sustenta-se em uma fidelidade rara na política nacional, sem paralelos inclusive dentro do lulismo. Essa é a avaliação de Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, em entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL.
Ao analisar o cenário acirrado das pesquisas presidenciais, Haddad destacou que a adesão ao movimento permanece intacta mesmo quando o nome testado é o de Flávio Bolsonaro, transferindo o peso diretamente para o que chamou de “marca Bolsonaro”.
A força da marca vs. o Indivíduo
Para o petista, o capital político não pertence individualmente aos herdeiros, mas sim ao sobrenome da família:
“O filho dele [Jair Bolsonaro] não tem [força eleitoral]. Quem tem é a marca Bolsonaro, que tem voto no Brasil. Isso é inquestionável e é uma fidelidade como eu nunca vi no Brasil. Eu não conheço fenômeno equivalente no país e raramente você vê fora daqui.”
Bolsonarismo vs. lulismo: o comportamento das bases
Questionado pela jornalista Daniela Lima se esse padrão de lealdade cega poderia ser comparado ao fenômeno do lulismo, Haddad rejeitou a simetria. Segundo ele, a base de apoio do presidente Lula exige um nível de entrega e diálogo completamente diferente:
“Não. O presidente Lula tem uma base muito crítica e ela oscila. Você tem que prestar contas o tempo todo para essa base, que exige ser convencida o tempo todo.
Agora, esse cidadão totalmente acrítico, que aconteça o que acontecer, quase que como um comportamento de seita, vai votar no Flávio Bolsonaro porque ele leva o nome do pai, não é razoável numa democracia.”
Identidade partidária e o combate à desigualdade
Concluindo sua participação, Haddad detalhou os motivos de sua identificação histórica com o Partido dos Trabalhadores. Ele apontou a desigualdade social como “o maior problema do Brasil” e defendeu o papel do partido no enfrentamento dessa realidade:
“[É uma] pauta [que] incomoda muita gente ao lutar por igualdade.”
