Tenente-coronel será expulso da corporação? Amigas depõem em julgamento que pode afastar oficial

Nayara Vieira
3 min de leitura
Tenente-coronel preso por feminicídio é acusado de assédio contra soldado (Reprodução: Redes sociais)

O julgamento administrativo do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto será retomado nesta segunda-feira (11/5), em São Paulo, com foco no depoimento de novas testemunhas. O oficial é acusado de matar sua esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, em fevereiro deste ano. O processo atual corre sob o rito de um Conselho de Justificação (CJ), colegiado responsável por avaliar se a conduta de oficiais das Forças Armadas ou da Polícia Militar é compatível com a permanência na ativa ou se justifica a expulsão definitiva da corporação.

As oitivas deste início de semana começam às 9h, com o depoimento de uma soldado que era colega de farda de Gisele, seguido pela oitiva do 1º tenente que liderou a equipe de atendimento à ocorrência no dia do crime. Outras duas amigas da vítima estão agendadas para depor na próxima quinta-feira (14/5). Devido aos protocolos judiciais, as sessões ocorrem por videoconferência e contam com a participação da defesa do réu, liderada pelo advogado Eugênio Carlos Bailliano Malavasi.

Paralelamente ao processo administrativo que pode custar sua farda, o tenente-coronel enfrenta sérias acusações na esfera criminal por feminicídio e fraude processual. Recentemente, em 28 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou uma decisão importante para o caso: o oficial será julgado pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. Essa mudança reforça o entendimento de que crimes dolosos contra a vida cometidos contra civis ou em contextos domésticos devem ser submetidos ao Tribunal do Júri popular.

O caso, que chocou a capital paulista, teve uma reviravolta significativa desde o seu registro inicial. No dia 18 de fevereiro, Gisele foi encontrada com um ferimento grave na cabeça no apartamento do casal, no Brás. Embora a primeira versão apresentada tenha sugerido um suicídio consumado, as investigações periciais e a reconstituição dos fatos desmentiram essa hipótese. A perícia técnica concluiu que a dinâmica do disparo era incompatível com um ato autoinfligido, transformando o marido no principal suspeito.

Atualmente, Geraldo Leite Rosa Neto cumpre prisão preventiva, decretada em 18 de março após a Polícia Civil reunir elementos que apontavam para sua responsabilidade direta na morte da esposa. Ele foi capturado em São José dos Campos e permanece à disposição da justiça. A morte de Gisele, causada por traumatismo cranioencefálico, segue como um símbolo da luta contra a violência doméstica, enquanto as novas testemunhas podem ser decisivas para o desfecho de sua trajetória na Polícia Militar.

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