Tenente-coronel preso por feminicídio é acusado de assédio contra soldado

Nayara Vieira
3 min de leitura
Tenente-coronel preso por feminicídio é acusado de assédio contra soldado (Reprodução: Redes sociais)

A defesa de uma soldado da Polícia Militar de São Paulo formalizou uma denúncia junto à Corregedoria da corporação contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que já se encontra preso pelo feminicídio de sua esposa, a também soldado Gisele Alves Santana. O documento, enviado no final de abril, detalha um padrão de comportamento abusivo e persecutório por parte do oficial, que teria começado logo após ele assumir o comando do 49º Batalhão. A notícia-crime acusa Neto de crimes graves, incluindo assédio sexual, assédio moral, ameaça, descumprimento de missão e fraude processual.

De acordo com o relato da vítima, as investidas do comandante eram insistentes e utilizavam-se do poder hierárquico como ferramenta de coerção. Em um episódio marcante, Neto teria tentado forçá-la a assumir o cargo de sua secretária particular; diante da recusa da agente, o oficial afirmou que faria a transferência mesmo sem consentimento, alegando seu controle disciplinar sobre o efetivo. A situação tornou-se tão insustentável que a policial chegou a solicitar sua transferência do setor administrativo para o patrulhamento de rua, na tentativa de se distanciar do agressor.

Mesmo com a mudança de função, a perseguição escalou para a vida privada da soldado, envolvendo monitoramento de seus deslocamentos e visitas indesejadas à sua residência. A denúncia menciona que o tenente-coronel chegou a levar um buquê de flores à casa da subordinada e, em outra ocasião, foi visto rondando o endereço fardado. Além disso, ele tentava usar colegas próximas para interceder em seu favor, alegando estar separado da esposa. Curiosamente, a própria Gisele, vítima do feminicídio posterior, chegou a procurar a soldado para tratar do comportamento do marido.

A denúncia ainda revela um componente de intimidação institucional, relatando que o tenente-coronel se gabava de sua influência e alegava que qualquer queixa contra ele seria abafada por aliados na corregedoria. Para evitar encontros, a soldado passou a recusar escalas voluntárias e evitava ficar sozinha no batalhão. O caso agora impõe um novo desafio à Corregedoria da PMESP, que precisa investigar como o oficial utilizou a estrutura do Estado para promover um ambiente de assédio e medo antes de cometer o crime contra sua própria esposa.

MARCADO:
Compartilhar este artigo