A campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) recebeu R$ 50 mil do advogado Júlio Caires, que havia movido, em 2024, uma ação contra Pablo Marçal por danos morais e falsidade ideológica. Naquele ano, Caires acusou o empresário de utilizar seus dados pessoais sem autorização para registrá-lo como integrante do PRTB.
Caires, que já foi conselheiro seccional da OAB-SP, apresentou a acusação em agosto de 2024, quando Marçal disputava a eleição para a Prefeitura de São Paulo. O empresário continua inelegível, mas teve nesta sexta-feira (4/9) a candidatura à Presidência da República homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A disputa, no entanto, ocorrerá sub judice.
Segundo Caires, seus dados teriam sido obtidos dois anos antes, durante um evento de filiação de Marçal ao então Pros, partido ao qual o empresário era ligado. Após a mudança de Marçal para o PRTB, em 2024, os registros teriam sido utilizados novamente para uma filiação sem autorização de Caires, que naquele momento estava vinculado ao PP.
Na ação apresentada à Justiça, o advogado afirmou que mantinha uma posição política contrária à de Marçal e que a suposta filiação poderia prejudicá-lo. A situação teria provocado questionamentos tanto na Justiça Eleitoral quanto dentro do próprio partido.
Caires solicitou uma indenização de R$ 20 mil por danos morais e informou que pretendia destinar o valor a uma instituição filantrópica. Em outubro de 2024, porém, decidiu retirar a ação.
Até agora, Tarcísio recebeu contribuições de 26 pessoas físicas para sua campanha à reeleição, em um total superior a R$ 3,5 milhões. Entre os maiores doadores estão os empresários e irmãos Helio e Salo Seibel, que contribuíram com R$ 575 mil cada.
Segundo aliados que participam da captação de recursos para a campanha, a arrecadação neste ano deve ficar abaixo do volume registrado anteriormente entre empresários. A avaliação é de que o cenário de “clima de já ganhou” na disputa contra Fernando Haddad (PT) pode reduzir o interesse por novas doações.
Tarcísio aparece na liderança das pesquisas eleitorais e tem vantagem significativa sobre os adversários, com possibilidade de conquistar a reeleição ainda no primeiro turno. A previsão entre integrantes da campanha é que sejam arrecadados, no máximo, outros R$ 3 milhões até o encerramento da disputa.
Mesmo com uma arrecadação considerada “baixa” em comparação com 2022, o governador já recebeu mais recursos privados do que Haddad. Conforme os registros da Justiça Eleitoral, o petista contabiliza até agora R$ 15 mil em doações provenientes de três pessoas físicas.
Na eleição de 2022, quando ainda tinha menor reconhecimento entre o eleitorado paulista, Tarcísio arrecadou aproximadamente R$ 19 milhões em contribuições de pessoas físicas. O valor superou o obtido pelos principais concorrentes. Rodrigo Garcia (PSDB), então governador e candidato à reeleição, recebeu R$ 2,2 milhões, enquanto Haddad somou R$ 130,3 mil em doações privadas.
Entre os principais apoiadores financeiros de Tarcísio naquele pleito estava Fabiano Zettel, cunhado e aliado próximo de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Zettel foi preso em março deste ano durante as investigações relacionadas ao caso Master e havia destinado R$ 2 milhões à campanha do governador.
O assunto voltou ao centro do noticiário na quinta-feira (3/9), depois que Vorcaro mencionou, em uma proposta de delação, que a contribuição teria sido resultado de uma suposta propina acertada com Gilberto Kassab. Tarcísio e Kassab negaram publicamente a acusação.
