O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tornou-se alvo de duras críticas de políticos e militantes da direita após classificar como “imperdoável” e um “tapa na cara” a cobrança de dinheiro feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro. A reação dos aliados do senador foi imediata, rotulando o mineiro como “oportunista” por sua postura crítica. Em resposta, o pré-candidato do Novo à presidência reafirmou sua posição nas redes sociais, declarando que sua atitude é baseada em “coerência” e que quem não sabe diferenciá-la de oportunismo possui um “problema”.
A crise se intensificou com ataques diretos de figuras proeminentes do campo conservador, como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que chamou a conduta de Zema de “vil”. Diante da pressão de seu próprio espectro político, Zema publicou um vídeo enfatizando que não pretende ser “mais um do mesmo” e que estaria disposto a desistir de sua pré-candidatura caso tivesse que abandonar seus princípios de moralidade na gestão pública. O ex-governador tem pautado sua imagem na crítica aos privilégios e ao que chama de ministros “intocáveis” do STF, decidindo não abrir exceção para defender Flávio no episódio dos áudios.
A estratégia de Zema também foi ironizada por outros adversários políticos, como Renan Santos (Missão), que apontou um erro tático e relembrou a proximidade que o mineiro mantinha, até recentemente, com o entorno de Jair Bolsonaro. No cenário regional mineiro, a situação gerou um alinhamento inusitado, com Zema recebendo apoio da esquerda em suas críticas, enquanto a direita local optou por poupar o senador Flávio Bolsonaro. O episódio expõe uma fragmentação no campo da oposição ao governo federal, evidenciando as dificuldades de articulação entre as diferentes vertentes da direita para as próximas eleições.
