O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, recebeu camisas do Corinthians Paulista no último sábado (20). A homenagem ocorreu após o político citar o ex-jogador de futebol Sócrates (1954-2011) e o movimento da Democracia Corinthiana em um vídeo oficial da prefeitura na semana anterior.
A entrega das camisas ocorreu durante um evento na metrópole e contou com a presença de Rafael Castilho, diretor cultural do time, Vinicius Cascone, ex-diretor jurídico do clube, e do ex-jogador Walter Casagrande.
Na ocasião, Zohran comentou o início da Copa do Mundo 2026, que tem os Estados Unidos entre os países-sede, e destacou o legado de Sócrates, um dos principais expoentes da Democracia Corinthiana. O ex-esportista atuou pelo Timão entre 1978 e 1984 e entrou em campo em 298 oportunidades.
“Eu tenho pensado ultimamente sobre Sócrates, não o antigo filósofo grego, mas o maestro do meio-campo brasileiro. Sócrates jogou pelo Brasil nos anos 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde capitaneou a seleção. Estes foram anos difíceis no Brasil. Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força”, declarou.
“No Corinthians, o clube que capitaneou Sócrates e seus companheiros participaram do que os brasileiros comuns chamavam democracia. Eles começaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corinthiana. Quer você fosse o centroavante estrela ou trabalhava na lavanderia, você tinha um voto”, acrescentou.
“E enquanto a ditadura militar estava torturando e assassinando seus cidadãos, Sócrates liderou os jogadores para o campo, usando jaquetas com as palavras ‘Eu quero votar para presidente’ nas costas. Conforme nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos celebrando o esporte que deu a milhões de pessoas em todo o mundo, tanto povos e esquerdistas, um senso de pertencimento, uma conexão com seu vizinho, um sentimento de solidariedade compartilhada”, destacou.
“O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores, e por 90 minutos de cada vez, não apenas nos permitiu esquecer nossos problemas, mas encontrar maneiras de superá-los. Que belo jogo”, finalizou.
Símbolo da resistência democrática no futebol brasileiro, a Democracia Corinthiana surgiu no início dos anos 1980 e teve como uma de suas principais bandeiras a luta pela redemocratização do país. Liderado por craques como Sócrates, Wladimir Rodrigues dos Santos, Walter Casagrande e Zenon, o movimento apoiou a mobilização pela retomada das eleições presidenciais diretas, suspensas durante o regime militar.
O período também marcou época por adotar um sistema de gestão inédito no esporte. As principais decisões relacionadas ao dia a dia do Corinthians Paulista eram discutidas e votadas coletivamente, sem hierarquias rígidas. Nesse modelo, o voto de jogadores, comissão técnica e funcionários tinha o mesmo valor, garantindo participação igualitária de todos os envolvidos na rotina do time.
