Osasco aciona jurídico após CBV mudar regra que impede Tifanny de jogar no feminino

Douglas Lima
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Tifanny Abreu, jogadora do Osasco São Cristóvão Saúde - Foto: Reprodução/Instagram

O Osasco São Cristóvão Saúde criticou, por meio de nota oficial divulgada na noite desta sexta-feira (14), a nova política de elegibilidade para a categoria feminina anunciada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A medida impacta diretamente a atacante Tifanny, mulher trans que defende o clube e ganhou destaque ao longo de sua trajetória na Superliga Feminina de Vôlei.

O Osasco afirmou ter sido surpreendido pela publicação das novas regras nesta sexta. Segundo o clube paulista, o regulamento foi elaborado sem a participação ou consulta prévia das equipes que disputam as competições nacionais. Tifanny defende o Osasco desde 2021.

O departamento jurídico do Osasco São Cristóvão já analisa a nova portaria publicada pela CBV. O clube avalia os possíveis impactos legais da medida antes de definir quais providências serão adotadas diante das novas regras.


A diretoria do Osasco reafirmou apoio irrestrito à Tifanny e destacou que permanecerá ao lado da jogadora, que defende o clube há cinco temporadas, diante da nova regulamentação. A equipe também reforçou seu compromisso com o respeito, a inclusão e a valorização de todos que fazem parte de sua história.

A CBV publicou a sua nova política de elegibilidade de atletas para competições da categoria feminina. A medida tem como objetivo adequar a entidade ao cenário regulatório internacional e alinhar os critérios adotados nos torneios nacionais às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

A nova regra da confederação entrou em vigor nesta sexta-feira (14) e estabelece novos parâmetros para a participação de atletas nas competições femininas. A entidade adotou como referência as diretrizes previstas na Política de Proteção da Categoria Feminina do Comitê Olímpico Internacional (COI), divulgada em março.

Entre os critérios definidos está a comprovação de elegibilidade por meio de análise biológica, incluindo a testagem para o gene SRY. A política também estabelece situações específicas em que poderão ser aplicadas exceções, conforme as condições previstas no documento.

A medida foi aprovada em setembro de 2025, posteriormente incorporada pela FIVB e já adotada neste ano durante a Liga das Nações. No Brasil, a nova política passa a valer para as próximas edições das competições organizadas pela CBV enquanto a norma estiver em vigor.

As regras serão aplicadas à Superliga A e B, na temporada 2026/27; à Supercopa 2026; à Copa Brasil 2027; ao Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta; e ao CBVP Challenger 2027.

Confira, abaixo, a notana íntegra do Osasco São Cristóvão Saúde:

“O Osasco São Cristóvão Saúde informa que foi surpreendido hoje com a informação da nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina, publicada nesta sexta-feira (14), pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Tal política foi elaborada sem qualquer participação ou opinião prévia do clube.

A decisão impacta diretamente a atleta Tifanny Abreu, que veste a camisa do clube desde 2021 e construiu uma trajetória marcante dentro e fora de quadra. Diante disso, o clube, junto com seu departamento jurídico, está avaliando a normativa publicada para definição dos próximos passos.

O clube reafirma seu integral apoio a Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da sua história”.

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