O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (11), a lei que oficializa o dia 12 de março como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A escolha da data remete ao registro da primeira morte pela doença no Brasil, ocorrida em São Paulo no ano de 2020. Com mais de 700 mil óbitos acumulados no país, a medida busca preservar a história e honrar aqueles que perderam a vida durante a crise sanitária global.
A cerimônia de sanção, realizada no Palácio do Planalto, foi marcada por um tom emocional e críticas contundentes à gestão anterior. Lula enfatizou que a criação da data é essencial para que o período não caia no esquecimento, criticando a conduta de Jair Bolsonaro e a disseminação de desinformação sobre vacinas e tratamentos sem eficácia comprovada. A primeira-dama, Janja da Silva, também compartilhou um relato pessoal emocionante sobre a perda de sua mãe para a doença, reforçando o impacto humano da pandemia.
Além do aspecto memorial, o evento serviu para relembrar os episódios investigados pela CPI da Covid, como as suspeitas de propina na compra de imunizantes e a rotatividade de ministros da Saúde. O presidente argumentou que o respeito às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) teria poupado milhares de vidas brasileiras. Para ele, identificar e responsabilizar quem propagou mentiras médicas é uma forma de garantir respeito ao ser humano e à verdade histórica.
Originada de um projeto do deputado Pedro Uczai (PT-SC) e relatada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), a nova lei possui um caráter educativo e simbólico. O objetivo central é transformar o luto em um lembrete constante sobre a importância de fortalecer as políticas públicas de saúde e o SUS. Ao institucionalizar o 12 de março, o Brasil reafirma o compromisso de não ignorar uma das fases mais difíceis de sua história recente, garantindo que as futuras gerações compreendam o valor da ciência e da gestão pública responsável.
