Um incêndio florestal de grande intensidade atingiu a floresta de Fontainebleau, localizada a cerca de 60 quilômetros ao sudeste de Paris, e provocou uma ampla operação de emergência. Até a manhã desta segunda-feira, 13 de julho, aproximadamente 800 hectares haviam sido destruídos pelas chamas, enquanto bombeiros seguiam atuando para conter diferentes focos do incêndio. O fogo começou na tarde de domingo (12), nas proximidades da rodovia A6, e foi classificado pelas autoridades francesas como uma ocorrência de “escala excepcional”, em razão da rápida propagação e da dimensão da área afetada.
O cenário foi agravado pelas condições climáticas, marcadas por calor intenso, vegetação ressecada e ventos que mudavam constantemente de direção. Diante desse quadro, cerca de 400 bombeiros participaram da operação, com apoio de helicópteros, uma aeronave de observação e dois aviões Canadair, enviados do sul da França para reforçar o combate às chamas na região parisiense.
Segundo o porta voz da Federação Nacional dos Bombeiros da França, Eric Brocardi, o foco da operação era proteger a população e as construções localizadas nas áreas de risco.
Durante a noite de domingo, os lançamentos de água e de produtos retardantes pelas aeronaves foram suspensos por questões de segurança. Mesmo assim, as equipes mantiveram o combate por terra, criando barreiras para impedir o avanço do fogo e reduzir o risco de novas áreas serem atingidas.
O coronel Olivier Compta, responsável pela coordenação da operação, afirmou que o apoio aéreo foi decisivo para evitar a retirada de moradores de um número ainda maior de comunidades. Conforme o oficial, os trabalhos devem se estender por vários dias, incluindo o rescaldo e o monitoramento de possíveis novos focos.
Como medida preventiva, moradores de regiões próximas às frentes do incêndio deixaram suas casas. Inicialmente, cerca de 15 residências foram evacuadas em Le Vaudoué. Posteriormente, as autoridades informaram que centenas de pessoas receberam orientação para sair temporariamente da área. Até a atualização mais recente, não havia registro de vítimas fatais nem de casas destruídas.
O incêndio também provocou impactos na mobilidade. Trechos da rodovia A6 foram parcialmente interditados para facilitar a circulação das equipes de emergência e garantir a segurança dos motoristas.
O transporte ferroviário sofreu reflexos durante o domingo. Trens de alta velocidade com origem ou destino na estação Gare de Lyon, em Paris, registraram atrasos que chegaram a seis horas. A operadora SNCF informou que algumas linhas precisaram reduzir a velocidade e alterar temporariamente seus trajetos.
Na manhã desta segunda-feira, a circulação dos trens de alta velocidade entre Paris e Lyon voltou ao ritmo habitual, embora muitos passageiros ainda enfrentassem consequências dos atrasos acumulados no dia anterior.
As autoridades francesas investigam as causas do incêndio. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que os investigadores identificaram cerca de dez pontos distintos onde as chamas tiveram início dentro de um perímetro de aproximadamente mil metros, além de focos localizados nos dois lados da rodovia A6.
Ao comentar os indícios iniciais da investigação, o ministro destacou a possibilidade de o incêndio ter sido provocado.
Apesar da suspeita, a hipótese ainda depende da conclusão da investigação oficial, que deverá analisar imagens, depoimentos, vestígios encontrados nos locais de origem das chamas e outros elementos reunidos pelas autoridades.
Além da importância ambiental, a floresta de Fontainebleau é um dos principais destinos turísticos da França. A área fica próxima ao Palácio de Fontainebleau, antiga residência de reis franceses e de Napoleão Bonaparte.
O incêndio ocorreu às vésperas das comemorações do feriado nacional francês de 14 de julho, data que marca a Queda da Bastilha. O aumento no fluxo de turistas e moradores durante o período elevou a preocupação com os impactos nas rodovias e na malha ferroviária.
A França enfrenta uma sequência de ondas de calor desde maio. De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, junho de 2026 foi o mês de junho mais quente já registrado na Europa Ocidental.
Um estudo do grupo científico World Weather Attribution concluiu que a onda de calor registrada em junho teria sido “virtualmente impossível” sem a influência das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas. A pesquisa também aponta que o aumento das temperaturas intensifica o risco de incêndios florestais, problemas de saúde e danos à infraestrutura.
Segundo dados apresentados pelo Ministério do Interior francês, os incêndios florestais já destruíram cerca de 32 mil hectares no país em 2026, número superior ao total registrado durante todo o ano de 2025.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que todos os recursos considerados necessários estavam sendo empregados na operação em Fontainebleau. Enquanto isso, as equipes permanecem monitorando a direção dos ventos, as condições da vegetação e a possibilidade de surgimento de novos focos de incêndio.
