Uma disputa por um imóvel de alto padrão localizado na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, foi levada ao chamado tribunal do crime do Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O episódio faz parte das apurações que culminaram na Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21/7) para desarticular operadores financeiros ligados à facção criminosa.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), integrantes do PCC participaram da mediação do conflito, que envolvia interesses patrimoniais relacionados ao imóvel.
De acordo com o Ministério Público, um dos casos investigados beneficiou o empresário Cléber Azevedo dos Santos. As apurações apontam que o grupo liderado por Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moja ou Léo do Moinho, atuou diretamente na negociação, evidenciando a ligação entre o empresário e a estrutura financeira utilizada pela organização criminosa.
Os promotores afirmam que Léo do Moja figurava entre os principais usuários da rede de operadores financeiros investigada na Operação Janus. Conforme a investigação, essa estrutura era empregada para ocultar patrimônio, registrar bens em nome de terceiros e dar aparência de legalidade à movimentação de grandes volumes de dinheiro em espécie.
Entre as principais provas reunidas pelo Ministério Público estão áudios gravados por uma pessoa que participou do próprio tribunal do crime. Algumas das gravações têm aproximadamente uma hora de duração e registram conversas entre membros da facção sobre normas internas, antecedentes dos envolvidos, relações de confiança e os critérios adotados para resolver disputas patrimoniais.
A Operação Janus cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra suspeitos de integrar o núcleo financeiro do PCC. Além das medidas cautelares, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos e outros bens, estabelecendo o limite de até R$ 10 milhões por investigado, com o objetivo de enfraquecer o esquema de lavagem de dinheiro atribuído à organização criminosa.
