Hantavírus: doença por trás de surto em navio preocupa autoridades de saúde

Nayara Vieira
4 min de leitura
Hantavírus: doença por trás de surto em navio preocupa autoridades de saúde (Foto: Hans Lucas/AFP/Getty Images)

O recente surto de hantavírus a bordo de um navio que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde acendeu um alerta nas autoridades de saúde internacionais. Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou cinco casos entre os oito suspeitos, resultando em três mortes trágicas, incluindo um casal holandês e uma passageira alemã. Embora a situação seja grave para os envolvidos, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, reiterou que o risco para a saúde pública global permanece baixo, enfatizando que o incidente está confinado ao ambiente do navio.

A hantavirose é uma doença transmitida principalmente por roedores silvestres, que carregam o vírus e o eliminam através da urina, fezes e saliva. A infecção em humanos ocorre majoritariamente pela inalação de aerossóis presentes em locais contaminados, embora o contato com mucosas ou feridas expostas também seja uma via de risco. É importante destacar que, ao contrário de vírus respiratórios comuns, a transmissão entre pessoas é extremamente rara, tendo sido registrada apenas em variantes específicas na América do Sul, como o vírus Andes.

Os sintomas iniciais da doença podem ser facilmente confundidos com outras infecções, incluindo febre, fadiga, dores musculares e problemas abdominais. No entanto, a condição pode evoluir rapidamente para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), um quadro severo que compromete o sistema cardiovascular e os pulmões. Em casos críticos, o paciente pode desenvolver a síndrome da angústia respiratória (SARA), exigindo intervenções intensivas como oxigenoterapia, ventilação mecânica e, em certas situações, até diálise.

Atualmente, não existe um tratamento antiviral específico ou cura direta para o hantavírus; o protocolo médico foca no suporte rigoroso dos sintomas e na manutenção das funções vitais. Devido à alta letalidade da doença, pacientes em estado grave precisam de internação imediata em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). O Ministério da Saúde reforça que profissionais expostos a ambientes de risco devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) completos, como máscaras e luvas, para evitar a inalação do vírus.

A investigação sobre a origem do contágio sugere que o foco inicial pode ter ocorrido fora da embarcação, possivelmente durante um voo em Joanesburgo, na África do Sul. Entre os casos confirmados, destaca-se um cidadão britânico de 69 anos que permanece em estado grave em uma UTI sul-africana. A OMS monitora de perto os passageiros que desembarcaram em diferentes países — como Canadá, Alemanha e Reino Unido — para garantir que possíveis novos casos sejam identificados durante o longo período de incubação do vírus.

Especialistas em epidemiologia, como Maria Van Kerkhove, fazem questão de diferenciar este surto da pandemia de Covid-19. Por se tratar de uma doença com dinâmica de transmissão muito específica e menos volátil entre humanos, não há indícios de uma ameaça pandêmica iminente. Um especialista da OMS segue a bordo do navio para acompanhar os passageiros até a chegada em Tenerife, na Espanha, assegurando que todos os protocolos de segurança biológica sejam rigorosamente cumpridos até o fim da viagem.

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